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Por que a estratégia de M&A deve ser prioridade na sua empresa

Redação Economia SC

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Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e sustentabilidade em Santa Catarina.

Por Guilherme Tossulino, diretor de M&A na Softplan

Vivemos em um tempo onde a inovação disputa cada vez mais espaço na agenda das organizações. Isso porque estamos inseridos em um contexto repleto de incertezas e sem possibilidade de previsões concretas – vide a pandemia de Covid-19. De um lado, urge a necessidade de otimizar as operações, fazer mais com menos, ser enxuto e célere nos processos e soluções. De outro, a urgência por renovação e reinvenção, de esforços em pesquisa, de correr mais riscos e cometer mais erros para não ser vencido. Duas frentes distintas que precisam ser conduzidas com maestria e habilidade.

A crise acabou inflamando ainda mais a competitividade e catapultou as empresas para agirem ainda mais rápido, e, no último ano, quem não estava preparado e bem estruturado para inovar e mudar a rota acabou ficando para trás. Justamente por isso, uma das estratégias que ganhou força no Brasil foi a de fusões e aquisições de outras empresas. Segundo um estudo do hub de inovação Distrito, em 2020 as M&As cresceram 160% em relação a 2019. Só em startups, foram mais de U$3.5 bilhões de investimentos. A corrida pela inovação definitivamente começou.

Mantenho sempre em mente uma frase do executivo Marshall Goldsmith que aprendi no começo da minha carreira: “O que nos trouxe até aqui, não necessariamente é o que nos levará para o futuro”. Eu não entendia a profundidade destas palavras quando era mais novo, mas agora compreendo a necessidade de ter na cultura organizacional um movimento constante de rever e reinventar. Quando entrei na empresa onde atuo hoje, em 2016, tudo estava indo bem. A companhia estava crescendo, conquistando novos clientes e contratando novos colaboradores. Não havia indício de necessidade ou senso de urgência para mudar. Mas, mesmo assim, o sentimento de revitalização não parava de pulsar. 

Foi assim que aceitei o desafio de fazer parte de uma nova área de uma empresa com 30 anos de tradição no mercado de softwares. A proposta era transformar uma organização “dinossauro”, que desde sempre crescia com solidez e expertise nos seus ramos de atuação, em uma junção com o “unicórnio”, que invoca a flexibilidade e inovação para ver o mundo de uma nova forma, levando tecnologia para mercados tradicionais.

Nosso primeiro passo foi criar uma área responsável por executar os projetos estratégicos de inovação e novos negócios. Nesse período, estudamos, aplicamos novas metodologias, realizamos benchmarkings e mexemos na nossa estrutura para conseguir elaborar um plano completo com diferentes objetivos, diretrizes e frentes de trabalho. Para cada frente, foram organizados projetos acompanhados por um comitê composto por diretores, gerentes e pessoas-chave da organização. Ter o endosso e patrocínio da alta gestão foi essencial para que o movimento desse certo.

A estratégia de inovação e crescimento foi definida com base em três pilares: intraempreendedorismo, para desenvolver um clima organizacional voltado à inovação e mudança; open innovation, reforçando nossa presença no ecossistema de tecnologia; e venture builders, com squads independentes das operações do dia-a-dia para termos mais agilidade e especializar algumas competências na criação de novos produtos e abertura de mercado. Mais recentemente resolvemos apostar numa estratégia de crescimento inorgânico e anunciamos a criação de uma nova área de M&A, responsável por gerir as fusões e aquisições da empresa. No começo do ano já fizemos a aquisição da primeira scaleup nesse novo modelo. Nosso objetivo é fortalecer o nosso core business e também trazer para o portfólio novos negócios, com novos produtos, mercados e clientes de uma forma mais ágil.

Uma das lições mais valiosas que aprendi nesse período foi a importância de estar conectado ao que estava acontecendo fora das quatro paredes da empresa. Nós sabíamos que desenvolver novos produtos e mercados era essencial, mas, além de criar e construir, identificamos que para acompanhar a velocidade do mercado e dos negócios, precisávamos abrir as nossas portas, literalmente. Passamos a investir em inúmeros eventos e encontros, apoiando e nos dedicando ao ecossistema com o objetivo de aprender e, genuinamente, contribuir.

Digo que esta foi a primeira lição porque sem isso não teríamos tido um envolvimento tão intenso com o ecossistema de inovação e empreendedorismo, que nos proporcionou entender e viver um pouco do universo das startups e scaleups, mundos que até então eram distantes da nossa realidade. Consequentemente, conhecemos pessoas e negócios incríveis, com os quais, por meio de parcerias e investimentos, nos aproximamos e formamos verdadeiras alianças. 

De lá para cá, realizamos 6 investimentos e 3 aquisições de controle acionário, e tenho certeza que este é apenas o começo. A inquietação segue presente, o mercado continua a crescer a passos largos, e a inovação é cada vez mais necessária. Não há mais tempo para hesitações: abra as suas portas, conheça o seu ecossistema, se envolva e aprenda com novos negócios. Mantenha a sua essência, mas sem esquecer de buscar o novo. Lembre-se: “O que te trouxe até aqui, não necessariamente é o que te levará para o futuro”.

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