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O Sul como polo de inovação

Redação Economia SC

Redação Economia SC

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e sustentabilidade em Santa Catarina.

Por Caio Feijó, analista de novos investimentos, e Anderson de Andrade, venture partner da Invisto.

Antes de definir minha vinda para o Sul, mais especificamente Santa Catarina, uma das primeiras iniciativas que tive foi explorar as perspectivas de trabalho ligadas a minha área: mercado financeiro. Dessa forma, pesquisei se haviam empresas que comportassem minhas ambições de carreira, mas principalmente o mercado do Sul e, desde o primeiro momento de busca, fiquei impressionado com a expressividade do ecossistema que encontrei na região caracterizada como um polo de inovação.

Em um relatório de Santa Catarina disponibilizado pela Distrito (2019), descobri alguns dados que interessavam a minha análise naquele momento.

Entre os principais: mais de 30 setores atendidos pelas empresas de tecnologia e com crescimento em setores de 4% ao ano. Existência de diversos centros de inovação e ao menos 14 polos de tecnologia. Existência de políticas públicas para incentivo à ciência, tecnologia e inovação.

Além desses, segundo o Tech Report da ACATE (2020) o Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, posicionam-se, respectivamente, em 4º, 5º e 6º lugares em ranking de número de empresas do setor de tecnologia por estado.

Florianópolis é a cidade com maior quantidade de empresas por mil habitantes, enquanto Curitiba e Porto Alegre aparecem em 3ª e 4ª posições, respectivamente, atrás de São Paulo (2ª cidade mais bem posicionada).

Ainda no relatório, outro aspecto interessante que demonstra essa expressividade regional ligada à área é o faturamento do setor de tecnologia, no qual, Paraná (R$ 21,2 bi), Rio Grande do Sul (R$ 18,7 bii) e Santa Catarina (R$ 17,7 bi) estão em 2ª, 3ª e 4ª posições respectivamente.

Um último aspecto relevante encontrado é que, quando se avalia também o ranking de produtividade do setor de tecnologia por estado, Paraná (1ª posição), Santa Catarina (2ª posição) e Rio Grande do Sul (3ª posição) superam a média brasileira.

Em termos de município, essa mesma métrica aponta para Curitiba, Porto Alegre, Blumenau, Florianópolis e Joinville, cidades do Sul, como líderes, da 1ª a 5ª posição.

Após realizar minha mudança e encontrar na INVISTO um trabalho, estou tendo a oportunidade de vivenciar esse ecossistema inovador, o que relatei anteriormente em diversos artigos.

De qualquer forma, o foco desse artigo não é contar minha história de mudança pessoal e profissional, mas sim trazer uma luz à compreensão de por que essa região é um ecossistema inovador, ou seja, quais seriam os principais fatores que fizeram e fazem essa região ter a autoridade de inovadora?

Esse tema é algo que sempre me despertou interesse, em conversas com lideranças, amigos, colegas, empreendedores e todos com que pude me conectar até então.

Em uma conversa com o venture partner da INVISTO, Anderson de Andrade, concluímos que há alguns pilares que podemos considerar para o surgimento desse ecossistema.

Entre esses aspectos, vale ressaltar a sociedade empreendedora, as políticas públicas, o modelo de colonização e os indicadores econômicos da região.

No que se liga ao primeiro aspecto mencionado, a sociedade empreendedora, baseia-se nos diversos cases de sucesso da região como Datasul, Zenvia, RD Station, Warren, Intelbras, Positivo, Bunge, BRF, Weg, Banrisul, entre vários outros, e nos mais diversos setores e pode ter origem no associativismo existente na região na proximidade entre o poder político e o meio empresarial, no surgimento de incubadoras, aceleradoras, fundos de investimento e hubs regionais, que apoiassem o desenvolvimento de novos negócios, bem como, mais recentemente, na introdução de disciplinas de empreendedorismo nas universidades.

Para Anderson, esse é o aspecto chave para a retroalimentação que ocorre no ecossistema permitindo a manutenção de empresas, o surgimento de novos empreendedores e a expansão da inovação na região.

Por outro lado, as políticas públicas, segundo aspecto percebido por ele, têm ampla raiz nos estados da região. Em Santa Catarina, há políticas estaduais, como a Política Catarinense de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Programa de Incentivo Fiscal à Inovação e a Lei da Inovação Tecnológica, e políticas municipais, como a Lei nº 6.476/2013 (de Chapecó), a Lei nº 7.170/2011 (de Joinville) e a Lei complementar nº 432/2012 (de Florianópolis).

Ainda na região, no Paraná, há diversas ações para estimular a inovação, como o Programa Paraná Inovador, Programas de Inovação no Oeste, o Sistema Regional de Inovação no Sudoeste, Políticas Públicas em Maringá, Lei de Inovação Municipal e Conselho de Ciência, Inovação e Tecnologia em Curitiba e Legislação municipal de fomento e apoio a negócios inovadores em Londrina. Dessa forma, essas políticas públicas existentes funcionam como sinalizadoras das possibilidades e atuam como incentivadoras à cultura empreendedora da região.

Em um terceiro aspecto, com base numa percepção mais subjetiva, ele acredita que o modelo de colonização realizado essencialmente por açorianos, alemães e italianos, de modo geral, contribuiu de diferentes formas de pensamento, cultura, costumes e tradições para uma melhor dinâmica de diversidade na região-fortalecimento, bem como, reforçou a ênfase no trabalho, tão necessário no momento de consolidação desses povos em território brasileiro.

Só para se ter ideia, no Paraná são 28 as etnias responsáveis pela colonização do estado, entre portugueses, poloneses, ucranianos, italianos, alemães, japoneses, árabes, espanhóis, holandeses e outros.

Por fim, o último ponto levantado se liga aos indicadores econômicos da região e principalmente aos níveis educacionais, à empregabilidade e aos demais indicadores socioeconômicos.

No Paraná, destaca-se as matrículas no ensino fundamental e médio (em ambos, é o 5º estado mais bem colocado no país), a proporção de pessoas de 16 anos ou mais em trabalho formal (4º estado mais bem colocado no país), a proporção de pessoas de 14 anos ou mais em trabalho formal (3º estado mais bem colocado no país) e o índice de desenvolvimento humano (IDH), de 0,749, quinto estado mais bem colocado no país.

Em Santa Catarina, destaca-se o rendimento nominal mensal domiciliar (per capita), de R$ 1.632,00, quinto estado mais bem colocado no país, a proporção de pessoas de 16 anos ou mais em trabalho formal, primeiro estado mais bem colocado no país, a proporção de pessoas de 14 anos ou mais em trabalho formal, terceiro estado mais bem colocado no país, e o índice de desenvolvimento humano (IDH), de 0,774, terceiro estado mais bem colocado no país.

Por último na região, no Rio Grande do Sul, destaca-se o rendimento nominal mensal domiciliar (per capita), de R$ 1.759,00, terceiro estado mais bem colocado no país, a proporção de pessoas de 16 anos ou mais em trabalho formal, quinto estado mais bem colocado no país, e a proporção de pessoas de 14 anos ou mais em trabalho formal, primeiro estado mais bem colocado no país. 

Obviamente há inúmeras razões que contribuem para o sucesso ou insucesso de determinada região, entretanto, os pontos mencionados acima, em conjunto com outros aspectos não discorridos até então, podem ter levado a região a ter essa expressividade em termos de inovação que apresenta hoje.

A INVISTO, maior círculo de investimentos do Sul do Brasil, mais que uma gestora de fundos de venture capital tradicional, agrega um conceito de investimentos “de empreendedores para empreendedores”.

Com isso, em sua essência, diferente da maioria dos players do mercado, se orgulha por acompanhar, interagir e integrar o ecossistema de inovação do Sul, de forma ativa na busca de novas scale-ups para fazer parte do portfólio, assim como, das melhores avenidas e alavancas de geração de valor para companhias já investidas.

Comprovadamente, a região é um polo de inovação, e sabe-se que a tecnologia continuará fazendo parte de nossas vidas.

Com base em todos os dados apresentados, nos aspectos que transformaram a região nesse polo, no potencial da região de se manter à frente desse contexto inovador, e nas perspectivas de maior participação da tecnologia em nossas vidas, podemos dizer que a Região Sul continuará como uma potência, e possivelmente, será uma das melhores candidatas para liderar essa era de inovação tecnológica no Brasil nos próximos anos.

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