Como o Instituto Gene dá impulso para novos negócios no Vale Europeu

Há quase 20 anos, o Instituto Gene, de Blumenau, trabalha incubando startups e oferecendo apoio ao ecossistema de inovação do Vale Europeu. Recentemente, mais um passo foi dado para fortalecer esse impulsionamento ofertado a empreendedores: a incubadora do instituto passou para a sede do Centro de Inovação de Blumenau, ampliando as possibilidades de conexão entre incubados e empresas.

Para saber mais sobre a atuação da incubadora, o Economia SC Drops conversou com o gerente Yuri Apolônio. Confira abaixo:

Qual o papel da incubadora do Instituto Gene Blumenau?

Yuri: O papel da incubadora, de modo geral, é bastante simples: auxiliar negócios inovadores de Blumenau e região em estágio inicial a se desenvolverem. O auxílio é oferecido de diversas formas e posso detalhá-lo mais a seguir. Utilizamos a metodologia Miditec Acate, considerada pela UBI Global uma das melhores do mundo. Acho importante citar também que, no âmbito do Instituto Gene, a incubadora é somente um dos serviços oferecidos pela instituição.

Quantas empresas já foram incubadas nesses 25 anos de história e quais mais se destacaram?

Yuri: No programa de incubação, mais de 200 projetos já receberam apoio desde a fundação da incubadora. Há muitos que podem ser destacados, como a Hi Platform, que atua na área de customer experience e é resultado da fusão entre a empresa graduada. No ano passado, a startup recebeu um aporte de R$ 35 milhões, e espera faturar este ano o montante de R$ 120 milhões. Outro destaque é a Inventti, pioneira nacional na área de notas fiscais eletrônicas. Hoje, mais de 30 mil empresas emitem documentos fiscais eletrônicos por meio das soluções desenvolvidas pela empresa graduada. Cito também a LZT Sistemas, adquirida pela Linx em 2013, por valores que hoje, corrigidos, resultariam em aproximadamente R$ 50 milhões. A empresa desenvolvia sistemas para automação de postos de combustível. É bem possível que a maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar de tais empresas, o que é compreensível, uma vez que boa parte delas desenvolve produtos para serem comercializados para outras empresas (B2B) e não para o público em geral. Por fim, gostaria de citar a Dynamix, a Gett, a Sances, a Lector, a Altimus e a fintech Atar B2B, essa última adquirida recentemente pela gigante Porto Seguro.

Quais os diferenciais da incubadora e como ela agrega valor à região?

Yuri: Fazemos parte da maior rede de incubadoras do sul do país, a Miditec. Além disso, por meio de uma parceria que fizemos com o Sebrae SC e a Fapesc, trouxemos recentemente à região uma das melhores metodologias de incubação do mundo: o Miditec Acate. Trata-se de um programa de apoio a startups dividido em quatro fases, iniciando pela validação do produto, em seguida, obter seus primeiros clientes até estruturar todo o negócio e finalmente escalar. Ou seja, a startup pode fazer parte da incubadora já no momento em que estiver validando o produto. O importante é que ele já tenha dados suficientes para mostrar que existe uma demanda por aquele produto. Durante toda a jornada, o negócio é auxiliado de diversas formas. São oferecidas capacitações (cursos, workshops, treinamentos, etc.) em diferentes áreas, ferramentas, assim como consultorias e mentorias, sempre de acordo com a fase em que se encontra a incubada. Uma vez por mês, os empreendedores participam de eventos oferecidos para toda a Rede Miditec e um evento que envolve somente os gestores dos negócios incubados no Gene. Para garantir que haja uma evolução, uma das primeiras coisas que fazemos junto às startups é a definição de metas e métricas para seguirmos junto aos empreendedores, por meio do Programa de Gestão Estratégica (PGE). A partir disso, aqueles negócios em estágios mais iniciais são acompanhamos a cada duas semanas. Os mais avançados são acompanhados mensalmente. Nesses encontros, também sugerimos ferramentas e profissionais que possam auxiliar o negócio em sua evolução. Duas vezes por ano, eles ainda passam por uma banca que visa avaliar se os negócios alcançaram os marcos de determinada fase e avançaram para a seguinte (ou se graduam) e por um diagnóstico completo, que busca mapear a exata situação do negócio em diversas áreas naquele momento. Paralelo a tudo isso, as empresas ainda têm acesso a uma série de benefícios, como o Programa de Desenvolvimento do Empreendedor (PDE), o acesso ao Centro de Inovação Blumenau, créditos na Amazon Web Services (AWS) e, especialmente, o fato de as incubadas serem automaticamente associadas Acate, o que abre um leque enorme de benefícios, como descontos em dezenas de ferramentas, acesso às verticais de negócios, aos grupos temáticos, entre outros.

Como os empreendedores podem participar da incubadora?

Yuri: Normalmente, quando alguém demonstra interesse no programa, nós recomendamos que, antes de tudo, seja feita uma conversa inicial com algum responsável da incubadora. A razão disso é que existem alguns pré-requisitos que o projeto precisa cumprir para entrar, além de possuir disponibilidade para envolver-se com as atividades da incubadora. Os pré-requisitos principais dizem respeito ao estágio e às características da solução desenvolvida. Primeiramente, ela precisa ser inovadora em algum aspecto (seja no produto final ou na forma com é desenvolvida). Depois, ela precisa estar, pelo menos, em estágio de validação, ou seja, é preciso que já exista um produto (ainda que em uma versão simplificada daquele que se almeja) em testes com aqueles clientes com quem o empreendedor pretende comercializar no futuro. Também é de suma importância que os empreendedores envolvidos conheçam o funcionamento da metodologia Miditec Acate, a qual irão fazer parte. Tendo este alinhamento e cumprindo os pré-requisitos, recomendamos então a leitura do edital da incubadora e o preenchimento do formulário de inscrição. Aproveito para destacar que reestruturamos, no início de março, as informações que devem ser fornecidas para a incubadora neste formulário. Basicamente, reduzimos em cerca de 40% a quantidade de dados a serem informados à incubadora, e nos focamos naquilo que é mais importante: no problema que é resolvido pela startup, na solução desenvolvida, nas tecnologias utilizadas e na equipe desenvolvida.

Hoje, a incubadora do Instituto Gene fica no Centro de Inovação de Blumenau (CIB). O que essa aproximação agrega para a instituição?

Yuri: A vinda da incubadora do Instituto Gene para o Centro de Inovação Blumenau, em minha opinião, permite que a gente divida a história dela em duas partes: antes e depois do Centro de Inovação. O Centro de Inovação é um lugar com muita vida, e melhor do que isso, com muita variedade. Aqui, além das próprias incubadas, elas possuem como vizinhas de sala startups muitas vezes mais maduras, ou mesmo escritórios de inovação de grandes empresas, como Hering, Altona e Ailos, por exemplo. Ocorrem recorrentemente diversos eventos aqui, bastando, muitas vezes, que eles somente desçam pelo elevador para obter conhecimentos valiosos para aplicar em seus negócios. Para aqueles que fazem parte da categoria de incubação virtual, ou seja, para aqueles que não possuem sala individual no CIB, nós buscamos encorajá-los a utilizarem os espaços compartilhados do prédio, assim como se fazerem presentes sempre que houver eventos presencial da incubadora ou no prédio. Em muitas pesquisas que realizamos ao longo dos anos com os empreendedores incubados, o networking sempre foi um dos principais pontos buscados no programa, logo, a gente crê que esta mudança tenha sido essencial para que a gente passe a agregar ainda mais valor aos negócios apoiados.  

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