Pandemia impulsiona busca por cirurgia plástica e saúde mental se torna pilar de procedimentos

De acordo com os dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil é o país com o maior número de cirurgias plásticas no mundo. Com aproximadamente 1,5 milhão de cirurgias por ano, o país ultrapassa o Estados Unidos e o México, na segunda e terceira posição, respectivamente.

Em Santa Catarina, o setor apresentou um crescimento de 18% no número de profissionais de 2018 para 2020. Segundo o último Relatório da Demografia Médica, produzido a cada dois anos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o número de médicos especializados em cirurgia plástica no estado passou de 249 para 294.

Para entender as razões dessa demanda crescente, especialmente no período da pandemia, o Economia SC Drops conversou com a cirurgiã plástica Aline Bettker, de Florianópolis. Confira abaixo:

Em meio à pandemia, quais fatores levaram ao crescimento pela busca de cirurgias plásticas em SC?

Aline: Acredito que não só em Santa Catarina, mas como em todo o Brasil. Devido à pandemia, em vários momentos foram suspensas as cirurgias eletivas, onde se enquadram as cirurgias plásticas estéticas. Isso fez com que nos períodos de remissão do vírus, surgisse toda uma demanda reprimida de pacientes. Além disso, nessa época a internet, principalmente as redes sociais, foram a porta de entrada para o assunto.

Quais são os procedimentos mais procurados? 

Aline: Atualmente os procedimentos de cirurgia plástica mais procurados no Brasil são: 

1) Lipoaspiração (envolve a sucção de gordura localizada em áreas de abdome, flancos, dorso, coxas, pernas e braços).

2) Mamoplastia, cirurgia plástica das mamas, a mais realizada entre elas é a mamoplastia de aumento, com inclusão de próteses de silicone.

3) Abdominoplastia, procedimento onde se é retirado o excesso de gordura e pele abaixo do umbigo, com uma incisão baixa, que costuma ir de uma ponta a outra do quadril.

4) Rinoplastia, cirurgia de modificação do nariz, visando a harmonia com a face, podendo também ser realizada a rinosseptoplastia, buscando a melhora da respiração do paciente.

5) Lifting facial (cirurgia da face), com o objetivo de rejuvenescer, reposicionar os tecidos, melhorar o contorno do rosto e retirar o excesso de pele excedentes. 

Qual a relação entre a cirurgia plástica e saúde mental? 

Aline: A pessoa que procura a cirurgia plástica muitas vezes acha que os procedimentos serão capazes de salvar um casamento que não anda bem, melhorar a aceitação no grupo de mulheres, tratar uma depressão relacionada a sua imagem no espelho, por exemplo. Ou a paciente tem que estar com a saúde mental em dia, em equilíbrio, pois caso contrário, ela poderá até ter um bom resultado compatível com seu corpo, seu biotipo e não estará satisfeita. Isso porque ela colocou expectativas que vão além da cirurgia plástica. Na medicina uma das funções da cirurgia plástica é ajudar o paciente a melhorar sua autoestima, sua autoconfiança nas relações interpessoais, sentindo-se bem com sua aparência e seu corpo. Mas o amor próprio é algo que está em nós e deve ser regado diariamente, para não deixar que ninguém o destrua. A beleza não engloba apenas o que vemos, e sim o que manifestamos. A beleza interior irá também refletir na beleza exterior, como através de um sorriso, autoestima, positividade com a vida e consigo mesma.

A cirurgia plástica pode se tornar “um vício”? 

Aline: Há casos relatados que sim, geralmente são pacientes que apresentam transtorno dismórfico corporal, em que uma aparência nunca basta. A pessoa nunca estará completamente satisfeita ou busca por ficar igual a outra pessoa. Precisamos, durante a consulta médica, diagnosticar esses casos e encaminhar para avaliação de especialistas, como médico psiquiátrico e psicólogo. Segundo a ISAPS, Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, 30% dos pacientes não possuem expectativas reais.

Como é da cultura brasileira, as pessoas vão, geralmente, em busca de preço, mesmo quando se trata de saúde. Quais os riscos em passar por um procedimento estético (simples, não necessariamente cirúrgico) sob essa mentalidade?

Aline: Infelizmente, é cada vez mais comum observarmos pessoas em busca apenas de um orçamento cirúrgico, o mais barato. Não se preocupam com o local onde será realizado o procedimento, a qualidade dos materiais utilizados e nem verificam se o seu profissional é devidamente qualificado. O imediatismo, a ânsia pela urgência em realizar procedimentos de cirurgia plástica e estéticos em geral, sem prestar atenção nestes fatores, pode colocar o paciente muitas vezes em risco, que muitas vezes podem lhes deixar sequelas ou até colocar sua saúde em risco.  

No que um paciente que busca por esses procedimentos precisa estar atento?

Aline: São muitos fatores: o local onde os procedimentos serão realizados, se possuem estrutura para a realização do determinado procedimento, os materiais utilizados (se possuem qualidade e são aprovados pela Anvisa), se a equipe médica é devidamente qualificada. Por exemplo, se o cirurgião plástico possui o registro de qualificação de especialista e ou se é membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O que há de inovador no mercado do segmento?

Aline: Nos últimos anos, houve a adesão de diferentes tecnologias e aparelhos, como os associados nas lipoaspirações, o que contribuiu significativamente na melhora dos resultados. Eles melhoram o contorno corporal, diminuem os sangramentos e auxiliam na retração da pele nos casos de flacidez, ficando com um aspecto estético mais embelezador e muitas vezes até mais natural. A cirurgia plástica está em constante evolução. 

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