Como diferentes setores têm se preparado para atender a Geração Z

Pelo menos 75% dos jovens brasileiros acreditam que têm o poder de influenciar as ações e comportamentos de uma marca global para melhor.

O levantamento é da Truth Central, unidade de inteligência global do McCann Worldgroup, e revela uma característica importante da Geração Z: ela está atenta não só com o que compra, mas de quem compra.

Entre outras particularidades, está o modo de vida pragmático, ágil e que prioriza relações transparentes, sejam elas interpessoais ou com organizações. 

O contexto social digital é inerente ao modo como os jovens na faixa etária de 11 a 24 anos se colocam no mundo e influenciam os espaços de convívio.

Com isso em mente, diversos setores já se preparam para as mudanças que esse grupo geracional demandará das instituições.

No contexto tecnológico, como um todo, ser nativo digital eleva o nível de excelência buscado nos serviços e produtos, sejam eles digitais ou não. 

“Quando a internet era um mundo a ser descoberto, as empresas tecnológicas atuavam em um processo de tentativa e erro. Agora, com uma geração totalmente digitalizada, não há espaço para processos burocráticos e lentos. As soluções tecnológicas, independente da área de atuação, devem ser tão eficientes, ágeis e transparentes quanto o esperado por esse público”, explica Valdemir Silveira, CEO da APIPASS, plataforma de integração como serviço (iPaaS).

PARA O VAREJO, A GERAÇÃO OMNICHANNEL

A Geração Z poderia ser chamada também de geração omnichannel, já que é a primeira a ter os hábitos de consumo mesclados nas ruas e nas mídias sociais em igual medida.

Esses jovens estão acostumados a comprar onde e quando quiserem, seja numa loja física, pelo computador ou pelo celular.

Embora a força total de compra ainda não tenha atingido os varejistas, por conta da faixa etária, a corrida para atender às expectativas futuras dos consumidores já começou.

O sucesso das marcas nas próximas décadas não será apenas baseado na compreensão do quê, como e de quem os Zoomers provavelmente comprarão, mas também nas habilidades do varejista para executar experiências de omnicanalidade.

Para Marco Beczkowski, diretor de Vendas e CS da Manhattan Associates, o ciclo de reinvenção do varejo provavelmente terá que começar de novo daqui a 20 anos:

“A chave para o sucesso das marcas confrontadas por essa sequência contínua de progresso é ser ágil o suficiente para não apenas introduzir diferentes opções de comércio digital, mas também ter os recursos de omnicanalidade necessários para atender as expectativas desses novos grupos”.

SEM ESPAÇO PARA BUROCRACIA NO SETOR FINANCEIRO

De acordo com o PayPal, ao menos 22% dos Zoomers usaram soluções “compre agora, pague depois” desde o início da pandemia para comprar produtos mais caros e de maior qualidade.

Além disso, a Geração Z passou a adotar opções de pagamento móvel, como aplicativos e carteiras eletrônicas, mais rapidamente que qualquer outro grupo.

Para Felipe Santiago, CEO da CashWay, as instituições financeiras precisam acompanhar essas mudanças e estar prontas para oferecer uma experiência, mais do que tudo, ágil e eficiente:

“A Geração Z espera resolver tudo de forma rápida e facilitada. Esse imediatismo é uma característica que precisa ser levada em consideração quando se trata de um mercado tão burocrático quanto o financeiro. Os jovens querem ter acesso a serviços e aplicativos que ofereçam esse nível de conveniência”. 

DEFENSORES DA SUSTENTABILIDADE

Entre as características mais marcantes dessa geração está o olhar consciente para o consumo. Um relatório viabilizado pela Electrolux no ano passado ouviu 14 mil jovens e mostrou que a Geração Z não está apenas disposta a mudar o estilo de vida para salvar o planeta, como também vê a si mesmo como protagonista nessa missão: 81% dos jovens da América Latina se veem como defensores da sustentabilidade.

Essa conscientização influencia fortemente nos hábitos de compra da geração, que passa a olhar com mais atenção para as ações das empresas antes de escolher de quem comprar. 

Quando se trata de energia, empresas que têm o selo verde, por exemplo, ganham preferência. Além disso, com o avanço da abertura do mercado livre, quem era consumidor passará a ser cliente: o usuário residencial vai poder escolher de quem compra a energia.

Segundo Ricardo Grassmann, sócio-fundador da Way2, especializada em medição e gerenciamento de dados de energia para empresas, usinas e distribuidoras, novas soluções, considerando um consumidor empoderado, que tem ainda mais controle sobre o próprio consumo, devem surgir:

“Como essa geração vai comprar energia lá na frente? Ainda é uma grande incógnita. Mas algumas coisas  já conseguimos prever, entre elas que estará preocupada em investir em energia limpa e renovável, para diminuir os efeitos sobre o meio ambiente”.

GERAÇÃO MENOS PREOCUPADA EM CRIAR RAÍZES

No mercado imobiliário, os Zoomers vêm rompendo os paradigmas que existiam até então: é a primeira geração, por exemplo, que não parece dar grande importância ao famoso sonho da casa própria.

“É uma geração menos preocupada em criar raízes. Uma tendência no mercado imobiliário vem sendo focar em aluguéis, e em processos de locação ambientalmente responsáveis, diversos e inclusivos”, resume Fernando Hoppe, diretor de marketing do GrupoRV, empresa de soluções imobiliárias.

Isso porque esse público valoriza fortemente o consumo responsável e a expressão de identidade, ou seja, quando uma marca diz que faz algo, ela precisa efetivamente fazer, sob risco de perder clientes caso não siga o próprio discurso.

“Eles se preocupam com propósito, consumo responsável, consciência socioambiental, diversidade, conectividade, imediatismo e personalização”, complementa.

Segundo um levantamento recente da empresa francesa de publicidade Criteo, ao menos 34% dos Zoomers praticam o webrooming, ou seja, a pesquisa de produtos online para em seguida fazer a compra na loja física, enquanto 18% realizam o showrooming, que consiste em experimentar o item no estabelecimento físico e depois fazer a compra online. “

Para atender a esse público, a digitalização é obrigatória. É muito importante que a comunicação seja homogênea em todos os canais. A Geração Z não sabe o que é um mundo sem Google ou redes sociais. Eles comparam todas as informações recolhidas offline e as validam online”, conclui.

EDUCAÇÃO COM FLEXIBILIDADE

Na contramão das últimas décadas, em que uma pessoa cursava engenharia para trabalhar unicamente como engenheira, a demanda do mercado, hoje, é por colaboradores que tenham conhecimentos multidisciplinares, tanto para ganhar uma visão ampla sobre a atuação da empresa quanto para buscar soluções em grupo com outros times.

As competências requeridas para compor um perfil profissional sólido não são mais somente técnicas. Agora, pela fluidez do mundo digital em que a Geração Z vive, soft skills, como inteligência emocional, comunicação, inovação e pensamento analítico, parecem ser premissas básicas de qualquer profissão.

Em razão disso, de acordo com Leandro Herrera, CEO e fundador da Tera, plataforma de educação para profissões digitais, escolas precisam tanto entender as demandas da nova geração, maior flexibilidade na forma de aprender, aprendizado com projetos práticos e mão na massa, formatos que consigam captar a atenção em meio a tantos outros estímulos informacionais, quanto preparar adequadamente essas pessoas para o mercado.

Para ele, o modelo de ensino ideal deveria atrelar os traços de personalidade e rotina de cada indivíduo ao seu modo de aprender, além de integrar a tecnologia durante toda a jornada de aprendizado. 

“A Geração Z preocupa-se com a empregabilidade, mas vive num mundo onde o trabalho é incerto e em que boa parte das profissões da atualidade deixarão de existir. Ela precisa entender quais habilidades realmente são essenciais para o presente e futuro do trabalho. O modelo de educação deveria se moldar de maneira que as aulas se tornem espaços de desenvolvimento social e cognitivo para explorar ao máximo o conhecimento tecnológico e potencial de adaptabilidade que essa nova geração apresenta, com ênfase nas habilidades humanas e que são insubstituíveis pela automação. Também é preciso ter menos cursos longos e pesados, com escrita e leitura repetitivas, e mais flexibilidade, aplicativos móveis, microcursos e atividades interativas. Essas são técnicas e métodos de educação muito mais alinhados às necessidades, e também ao potencial, desses novos profissionais”, afirma.

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