Os números do cooperativismo que nem todo mundo vê

Quase 19 milhões de brasileiros fazem parte do cooperativismo. São 18,8 mil cooperados, algo como a população inteira dos Países Baixos ou do Chile.

O dado está no mais recente AnuárioCoop2022 – Dados do Cooperativismo Brasileiro, um raio-X divulgado pela entidade privada que representa o setor, o Sistema OCB. Quase meio milhão de empregos diretos são gerados pelas 4.880 cooperativas em todo o país.

Muitos brasileiros – a maioria, eu diria – desconhece a dimensão e a importância do cooperativismo para o nosso desenvolvimento.

Tampouco sabem como funciona uma cooperativa e como ela impulsiona a economia da região onde atua. Vamos a mais números: no ano passado, as cooperativas do país faturaram R$ 524 bilhões, 26% a mais do que em 2020. Para dar um exemplo próximo, é quase duas vezes o PIB do nosso vizinho Uruguai.

Vale lembrar que parte desse recurso retorna para os cooperados. No ano passado, as sobras do exercício – conceito comparável ao lucro, embora as cooperativas não tenham necessariamente essa finalidade – somaram R$ 36,7 bilhões.

No cooperativismo de crédito, por exemplo, uma parcela das sobras é distribuída todo ano aos associados na proporção das operações feitas, uma vez que todos são donos do negócio.

O cooperativismo é a mais justa forma de organização humana porque remunera de modo proporcional ao esforço e à participação de cada um. E assim, compartilhada, a riqueza fica no lugar onde é gerada, girando a roda da economia local.

São sete os ramos do cooperativismo: agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, transporte e um sétimo denominado trabalho, produção de bens e serviços.

Um mergulho no ramo crédito, onde atuo há 25 anos, nos permite vislumbrar uma rede formada hoje por 763 cooperativas com a participação de 13,9 milhões de cooperados.

Santa Catarina é o estado brasileiro líder em adesão, com 2,6 milhões de associados às cooperativas de crédito. Logo a seguir vêm o Paraná, com 2,4 milhões, e o Rio Grande do Sul, com 2,3 milhões.

A longevidade é outra característica das cooperativas. No Brasil, apenas 30% das empresas ultrapassam o marco temporal dos 10 anos no mercado, enquanto as cooperativas apresentam uma vida bem mais longa: mais de 3,6 mil se mantêm firmes e prósperas há mais de uma década, o que representa 75% do total. Aliás, no mundo inteiro é assim.

A primeira cooperativa surgiu em 1843, em Rochdale, Inglaterra, e muitas na Europa estão com as portas abertas há mais de 150 anos.

Poucos setores da economia brasileira são capazes de gerar notícias tão positivas e consistentes quanto o cooperativismo. O Brasil precisa conhecer melhor o Brasil que coopera.

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