3 práticas para construção de comunidades entre empreendedores em situação de vulnerabilidade

Por Gabriela Werner, CEO e cofundadora do Impact Hub Floripa

Não é de hoje que brasileiros encontram no empreendedorismo uma forma de driblar o desemprego ou complementar a renda familiar. Dados do IBGE mostram que a pandemia acentuou esse cenário: de acordo com o Instituto, em 2020, o crescimento no número de empresas ocorreu somente naquelas em que não há nenhum funcionário. Diante desse cenário, o novo empreendedor precisa enfrentar desafios até então desconhecidos. Somado a isso, há a necessidade de fazer com que o negócio dê certo e a dificuldade em encontrar referências para capacitação – que podem desencadear a sensação de que empreender é uma atividade estritamente solitária.

Esse sentimento de solidão é um assunto recorrente no meio empreendedor, inclusive entre aqueles que abriram seus negócios há mais tempo. Além disso, é um desafio enfrentado em todos os âmbitos econômicos (não à toa o conceito de comunidade é tão forte no meio das startups). Sendo assim, no caso de proprietários de pequenos negócios em situação de vulnerabilidade, que não vivem nas grandes cidades e não estão familiarizados com o “modo de fazer” startupeiro, como essas comunidades podem ser fomentadas? Para responder a essa pergunta, trago alguns insights aprendidos ao longo de anos atuando com o programa Chamada de Impacto, iniciativa do Impact Hub Floripa para atender empreendedores com esse perfil, sejam eles novos negócios ou não.

Os pilares fundamentais para a realização da Chamada são: atuação presencial, escuta das lideranças dos locais atendidos e comunicação acessível. A seguir, explico melhor como essas três ações são executadas e como elas podem ajudar na construção de uma comunidade empreendedora.

  1. Atuação presencial

Não há dúvidas de que o digital trouxe benefícios para a construção das comunidades empreendedoras e a comunicação por esses meios não deve de forma alguma ser desestimulada. Porém, viver o dia a dia de uma região, experimentar a troca “olho no olho” e, principalmente, compreender de forma integral a realidade daqueles participantes durante as atividades de capacitação enriquece a experiência de aprendizado e possibilita ações que ainda são limitadas no contato online. 

Um exemplo é a ação de encerramento da Chamada de Impacto: uma feira de negócios, aberta para toda a cidade, em que os empreendedores expõem e comercializam seus serviços e produtos – e que já gerou mais de R$ 90 mil em renda extra aos participantes. De um lado, participantes convidam familiares e amigos para conhecer seus produtos e serviços. Do outro, moradores têm a chance de prestigiar as empresas locais. Nesse momento, é possível ver como o fomento ao empreendedorismo é capaz de estimular os negócios e a economia de uma região por meio de iniciativas que extrapolam o apoio ao empreendedor e tornam-se eventos sociais para a população geral.

  1. Escuta das lideranças dos locais atendidos

Ainda que a atuação presencial seja o foco do programa, em 2020, em decorrência da pandemia, a Chamada precisou ocorrer de forma online durante a edição realizada  com moradores da comunidade Mont Serrat, de Florianópolis. Situações extraordinárias como essa reforçam como a escuta das lideranças locais é uma estratégia importante para conhecer melhor os participantes e entender suas demandas. Por meio desse contato, é possível entender melhor os desafios enfrentados por quem empreende, as limitações e as potencialidades existentes ali. 

  1. Comunicação acessível

Evitar o uso de termos em inglês é uma medida importante para tornar programas de apoio a empreendedores em situação de vulnerabilidade mais acessíveis. Além disso, fomentar o contato entre os participantes é essencial para estimular a construção de comunidades. Para isso, ferramentas populares são grandes aliadas – utilizamos o WhatsApp durante todo o programa, que é o aplicativo de mensagens mais utilizado entre os brasileiros, sendo predominante em todas as regiões e estratos sociais do país. 

A comunicação em tempo real, acompanhada da escuta ativa em relação às demandas dos empreendedores, torna possível o empoderamento dessa classe. O resultado disso é a construção de comunidades empreendedoras mais capacitadas, que tornarão as cidades polos mais atrativos para receber iniciativas semelhantes no futuro, abrindo o leque de possibilidades empreendedoras no país e diversificando os índices de empreendedorismo a nível nacional.

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