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Crescimento de startups de IA no Brasil: inovação com proteção, para quem pensa no futuro

Foto: divulgação

O Brasil deixou de ser apenas um mercado promissor e passou a ocupar espaço estratégico no mapa da inovação global. Startups de inteligência artificial que antes miravam Estados Unidos, Europa ou Ásia agora enxergam no país não apenas consumidores ávidos por tecnologia, mas também um ambiente fértil para validar soluções e escalar negócios.

Esse movimento é impulsionado por três fatores centrais: a dimensão do mercado digital brasileiro, a diversidade cultural que fortalece a adaptação de modelos de IA e, sobretudo, o amadurecimento da proteção da propriedade intelectual como ferramenta de segurança para empresas inovadoras.

O Brasil como laboratório de IA

Com mais de 214 milhões de habitantes altamente conectados, o Brasil se tornou um dos maiores mercados de experimentação de tecnologias digitais. O comportamento acelerado de adoção permite que startups testem e validem novas soluções em tempo recorde — vantagem rara em outros países.

No campo da IA aplicada a imagens, personalização e automação criativa, esse dinamismo se soma à diversidade cultural brasileira, criando bases de dados mais ricas e modelos de IA mais inclusivos. Uma tecnologia validada aqui tende a ser mais preparada para competir em escala global.

E o interesse dos investidores acompanha esse movimento: o investimento em startups da América Latina cresceu 37% em 2024 em relação ao ano anterior. Foram US$ 8,76 bilhões distribuídos em 830 rodadas, segundo o relatório Latam Startup Market 2024 in Review, produzido pela Sling Hub em parceria com o Itaú BBA.

Propriedade intelectual como ativo estratégico

Para startups de inteligência artificial que chegam ao país, proteger seu portfólio de marcas, algoritmos e programas de computador não é um detalhe burocrático: é um ativo estratégico. Em um mercado competitivo, a diferença entre captar investimento ou ser copiado pode estar no certificado de registro.

O Brasil já provou sua força como mercado consumidor e como celeiro de talentos. Agora, com políticas mais ágeis do INPI e maior conscientização sobre a importância da propriedade intelectual, o país começa a se posicionar também como porto seguro para a inovação global.

Segurança jurídica como diferencial competitivo

Se a velocidade é essencial para startups, a segurança jurídica não fica atrás. Em um cenário em que algoritmos, softwares e marcas podem ser facilmente replicados, garantir direitos de propriedade intelectual tornou-se questão de sobrevivência. É aqui que o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) desempenha papel fundamental.

Neste sentido, as startups enquadradas no Inova Simples — regime simplificado para empresas de inovação — possuem prioridade na análise de pedidos de marcas e patentes. Com essa medida, é possível obter o registro de marca em menos de seis meses, desde que a startup comprove seu status no portal Redesim. Para patentes, o pedido deve estar depositado, publicado e ter o exame técnico requerido.

Segundo especialistas do Sebrae, o trâmite prioritário é um mecanismo importante para startups que participam de programas de aceleração, oferecendo mentorias e orientação estratégica sobre como proteger suas inovações e ganhar vantagens competitivas no mercado.

Propriedade intelectual como ativo estratégico

Para startups de inteligência artificial que chegam ao país, proteger seu portfólio de marcas, softwares e patentes não é um detalhe burocrático: é um ativo estratégico. Em um mercado competitivo, a diferença entre captar investimento ou ser copiado pode estar no certificado de registro.

O Brasil já provou sua força como mercado consumidor e como celeiro de talentos. Agora, com políticas mais ágeis do INPI e maior conscientização sobre a importância da propriedade intelectual, o país começa a se posicionar também como porto seguro para a inovação global.

Em meio a esse cenário, fica a reflexão: uma startup pode até nascer disruptiva, mas se não tiver um olhar atento aos Direitos de Propriedade Intelectual (DPI) corre o risco de não chegar à maturidade.Inovar sem proteger é abrir mão do controle sobre sua própria criação. Neste sentido, se o Brasil quer consolidar-se como hub de startups de IA, é hora de cada empreendedor entender que patentes, marcas e softwares não são burocracia: são o alicerce invisível que sustenta a inovação.

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Advogada, especialista em registro de marca, Mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação e fundadora da CRIA! Propriedade Intelectual.

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