Existe algo muito bonito em saber que ainda temos muitas primeiras vezes para viver.
Às vezes a gente esquece disso. Como se a vida fosse só repetição, rotina, o que já foi feito antes. Mas não. Sempre há uma fresta, uma porta que abre para o inédito.
E o inédito assusta.
Porque viver uma primeira vez é atravessar sem mapa. É entrar no escuro com a lanterna fraca, sem saber se vai tropeçar ou descobrir um caminho inteiro.
É medo, sim. Mas é também a chance de se surpreender com o próprio fôlego.
Cada vez que uma primeira vez acontece, a gente entende um pouco mais de si.
Percebe que é capaz. Que é maior do que pensava. Que tem músculos que só aparecem no esforço, coragem que só nasce no salto.
E isso fica.
O que você vive pela primeira vez não se apaga. Não só pela memória, mas porque muda a forma como você se move depois. É como se a vida deixasse cicatrizes boas, tatuagens invisíveis que lembram: eu consegui.
Por isso é tão importante não esquecer.
Porque o medo sempre volta. Mas também volta a lembrança de que, sim, você já esteve aqui antes, já atravessou, já se reinventou.
E reescrever essa certeza é o que faz as coisas durarem.
As primeiras vezes não são só momentos. São sementes. Que brotam de novo cada vez que a gente ousa tentar outra vez.