Há contas que ninguém ensina, mas a vida cobra.
Oito mais oito mais oito.
Como se bastasse dividir as horas para que tudo coubesse.
Olho para essa fórmula e penso no tanto que a gente tenta domar o tempo como quem tenta dobrar água.
Acreditamos que equilíbrio é uma operação precisa, quando na verdade é só uma tentativa contínua de não nos perder de nós mesmos.
Trabalho, descanso, vida.
Três blocos perfeitos no papel, três territórios em disputa na prática.
Porque às vezes o trabalho invade o sono.
Às vezes o sono atravessa o dia.
Às vezes a vida pede espaço no meio do expediente.
E tudo fica meio torto, meio real.
Ainda assim, gosto da ideia de olhar para as horas com mais gentileza.
De lembrar que existe um pedaço do dia que não é entregável, nem produtivo, nem mensurável.
É o pedaço feito de gente.
De amigos que aliviam o peso.
Da saúde que sustenta.
Das pequenas alegrias que passam rápido demais para virar meta.
Talvez a conta não feche sempre.
Talvez nunca feche.
Mas existe algo de bonito em tentar proteger o nosso trio essencial: o que nos move, o que nos repara, o que nos devolve.
No fim, talvez equilíbrio não seja sobre dividir o tempo, mas sobre perceber quando ele começa a pedir outra forma de existir.
E ajustar, devagar, até caber de novo.