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Governança algorítmica: o novo eixo de valor entre ESG e liderança estratégica

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Foto: divulgação

Não são os dados que colocam a reputação em risco. É o que as empresas fazem com eles.

Com a digitalização acelerada dos negócios, algoritmos passaram a influenciar decisões em toda a cadeia de valor. De preços dinâmicos a seleção de talentos, de classificação de risco a recomendações de produtos. A discussão sobre impacto não é mais sobre tecnologia, mas sobre consequência de uso.

O mercado passou a exigir um novo pilar de liderança: a governança algorítmica. Esse conceito emerge na interseção entre ética, regulação, transparência e estratégia de dados. E neste ponto a agenda ESG encontra terreno crítico para evoluir.

Cérebros automatizados, riscos amplificados

Sistemas automatizados tomam decisões baseadas em padrões históricos. Mas os padrões não são neutros. Reproduzem vieses, distorções e assimetrias sociais. Quando uma liderança terceiriza a decisão para esses sistemas sem supervisão, ela abre espaço para riscos de imagem, de conformidade e de impacto social negativo.

Transparência, auditoria de modelos, rastreabilidade de decisões automatizadas e accountability de quem os opera são agora responsabilidades de gestão. Ignorar isso é fragilizar a confiança.

ESG com algoritmos exige postura ativa

O mercado de capitais já inclui riscos de uso de tecnologia como variável de análise ESG. Investidores institucionais estão atentos ao que empresas estão automatizando, com que critérios, e com qual supervisão.

As empresas que adotam tecnologia sem uma camada clara de controle e alinhamento ético passam a ser vistas como expostas. Não são apenas as práticas ambientais ou trabalhistas que estão no radar da regulação. Os sistemas de decisão automatizada também.

Como preparar sua empresa para liderar com governança algorítmica:

  1. Audite os processos que envolvem automatização de decisão. Quais critérios estão sendo usados? Eles foram validados? Existe supervisão?
  2. Implemente comitês interdisciplinares. Dados não são temas apenas de TI. Devem ser discutidos com áreas jurídica, RH, compliance e negócios.
  3. Adote princípios de design ético desde o início. Modelos automatizados devem ser explicáveis, auditáveis e reversíveis.
  4. Comunique de forma proativa. Stakeholders devem saber como sua empresa utiliza dados e tecnologias para decidir. Transparência é parte do ativo reputacional.

Governança de dados é liderança!

O uso de sistemas automatizados nos negócios precisa deixar de ser uma caixa-preta gerenciada pela TI. Deve se tornar uma prática de liderança consciente, com responsabilidade institucional sobre o impacto das escolhas automatizadas.

O futuro do ESG passa por algoritmos. E a reputação das empresas estará cada vez mais vinculada à forma como elas integram tecnologia com responsabilidade.

Siga nesta jornada por dentro dos negócios, conectando práticas para acelerar a sua empresa.

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Especialista em aplicação de inteligência em dados, marketing e vendas, CEO da Hublue, head de novos negócios no Next Group, host do podcast Pantech e professor universitário.

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