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Por que o ERP será decisivo na adaptação das empresas à Reforma Tributária

Foto: divulgação

Por Raquel Malvezzi Coser de Oliveira, diretora da BU de ERP da Zucchetti.

A proximidade da Reforma Tributária expõe um cenário que requer atenção: embora a transição esteja prevista para começar em 2026 e se estender até 2033, grande parte das empresas brasileiras ainda não compreendeu a profundidade das mudanças que estão por vir. A reforma não se limita à substituição de tributos, mas à reestruturação de práticas contábeis, fiscais e operacionais que sustentam o funcionamento diário de qualquer negócio. Os impactos vão da formação de preços ao controle de créditos e débitos, passando pela revisão de processos internos que, por muitos anos, foram conduzidos com base em um sistema tributário fragmentado e pouco transparente.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser acessório e passa a desempenhar um papel central. E é aqui que o sistema de gestão empresarial, ou ERP, se torna peça estratégica. Mais do que um software administrativo, ele funciona como o ambiente que reúne, organiza e interpreta as informações essenciais para que a empresa tome decisões com segurança durante a transição tributária. Ao consolidar dados fiscais, financeiros, produtivos e operacionais, o sistema permite que as organizações compreendam seus custos reais, projetem cenários e façam ajustes fundamentados. Em um momento em que a precisão das informações será determinante, operar sem uma base integrada se torna um risco que poucas empresas podem assumir.

A reforma também exige revisão profunda dos cadastros fiscais, atualização de classificações de produtos e reavaliação das rotinas de apuração. O que antes era uma tarefa técnica isolada agora se torna parte estratégica do planejamento empresarial. Sem dados íntegros, integrados e atualizados, qualquer tentativa de adaptação se fragiliza. É nesse ponto que o sistema de gestão empresarial mostra sua importância ao padronizar informações, automatizar etapas críticas e assegurar rastreabilidade completa, desde a entrada de insumos até a emissão da nota fiscal. Para setores como a indústria de transformação, essa visão integrada é ainda mais relevante, já que a nova lógica de créditos tributários pode influenciar custos, margens e competitividade dentro e fora do país.

Outro aspecto essencial da transição é a velocidade da mudança. A implementação do novo modelo exigirá respostas ágeis, interpretação contínua das normas e capacidade de adaptação sucessiva. Tecnologias como inteligência artificial tendem a ganhar espaço ao apoiar empresas na análise de dados e na automação de processos que hoje demandam tempo das equipes. Isso não substitui a necessidade de conhecimento técnico, mas evidencia que a combinação entre especialistas e ferramentas modernas será decisiva para a tomada de decisão ao longo dos próximos anos.

Diante desse cenário, o desafio das empresas é tanto técnico quanto cultural. Ainda há quem subestime o alcance da reforma e acredite que a adaptação ocorrerá de forma natural. No entanto, sem planejamento, capacitação e uma infraestrutura digital estruturada, a transição tende a ser mais lenta, custosa e sujeita a erros. O sistema de gestão empresarial reduz esse risco ao oferecer informação de qualidade, padronização e a agilidade necessária para que o negócio avance com segurança.

A Reforma Tributária representa uma oportunidade de modernização, mas apenas colherá seus benefícios quem estiver preparado. E, nesse processo, o sistema de gestão deixa de ser um suporte operacional para se tornar a base que sustenta a tomada de decisão, a competitividade e a capacidade de adaptação das empresas brasileiras em um dos momentos mais relevantes da sua história recente.

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