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Qual será o seu abadá quando o carnaval chegar ao fim?

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Foto: divulgação

Entra ano, sai ano, e é sempre a mesma coisa. Percebo um movimento preguiçoso e procrastinador em muitos setores.

A máxima se repete como mantra. 

“Depois do Carnaval, a gente vê.”

Todo mundo pensa no abadá do bloquinho. Quase ninguém pensa no que vai vestir na Quarta-feira de Cinzas.

Consigo até imaginar esse cenário com trilha sonora. 

Chico Buarque cantando: “Vou me guardar pra quando o carnaval chegar”.

O fato é que, entre o Natal e a Quarta-feira de Cinzas, o Brasil entra em um modo curioso. Cria-se um limbo corporativo bastante conhecido, mas pouco tratado com seriedade estratégica.

E é justamente essa tal estratégia, tão falada e tão usada até como título de post no Instagram e no LinkedIn, que eu chamo aqui de abadá.

Esse intervalo entre o fim do ano e o pós-carnaval é longo. Muito mais longo do que parece. Empresas entram em recesso. Times tiram férias. Agendas esfriam. A comunicação simplesmente desaparece. Nesse mesmo período, decisões são adiadas. Lançamentos são empurrados. Produções ficam em espera. O discurso implícito é sempre o mesmo. 

“Depois do Carnaval, a gente vê.”

Os estrategistas disso e daquilo tiram seus abadás de experts e vestem arlequim e colombina. O problema é que, depois do carnaval, a conta vem. E a nota fiscal, muitas vezes, não.

O que aparece na sequência são líderes e gestores descansados, o que é ótimo, acompanhados de cobrança por resultado. Metas retomadas. Pressão por vendas. Expectativa de reaquecimento imediato do mercado, como se ele funcionasse no modo liga e desliga.

Mas esse on e off geralmente dá curto. E a luz se demora a acender.

Antes que você me entenda como o chato que não gosta de festa, workaholic ou algo do tipo, deixa eu ser claro. Eu adoro tudo isso. Gosto das festas, das comemorações, dos bloquinhos e do que o carnaval representa, culturalmente e como indústria criativa e do entretenimento. Eu mesmo, já fui vítima da falta de pausas, passei por esgotamento, burnout, estresse e impactos físicos, mentais e emocionais. Justamente por isso, valorizo muito períodos de descanso, relaxamento, diversão e mais contato com família e amigos.

Afinal, CNPJ é feito de pessoas. E sem equilíbrio desses CPFs, a coisa toda desanda.

E, por incrível que pareça, a questão estratégica passa exatamente por aí. Não adianta voltar descansado e relaxado do recesso e encontrar mesas, projetos e planilhas parecendo um cenário de guerra.

Ainda que o cenário seja este, justamente estamos falando de táticas de guerra: estratégia e campanha.

Estratégia não é sobre trabalhar mais. É sobre trabalhar antes. Se preparar e organizar a coisa toda.

Campanha é execução, é quando você já está na trincheira. Se a estratégia é boa, é só executar.

Restando algumas semanas para o carnaval, eu insisto com você. Pense estrategicamente. Crie cronogramas coerentes. Produza com antecedência. Contrate produtores de conteúdo. Organize sua comunicação. Coloque a marca para existir enquanto o mercado volta ao ritmo normal.

E, se não souber por onde começar, pode me chamar. A gente faz um diagnóstico e eu te ajudo.

Eu não gosto daquela máxima de que, enquanto você dorme, alguém do outro lado do mundo está trabalhando. Isso é papo tóxico. Mas pense nisso. Enquanto sua concorrência está no bloquinho, talvez seja um passo à frente você estar pensando com calma, estratégia e antecedência, e isso é diferenciação.

Por isso, insisto:

Qual será o seu abadá quando o carnaval chegar ao fim?

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publicitário, documentarista e fundador da POPS, agência que desenvolve conteúdos de identidade marcante para o ecossistema de inovação de Santa Catarina.

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