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Sanapp: inovação em saneamento é destaque no Climate Launchpad 2025

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Foto: divulgação

A startup catarinense Sanapp possui uma solução SaaS que apoia empresas de saneamento e municípios na gestão de ativos, como redes de água, esgoto, sistemas individuais, drenagem e resíduos sólidos.

A plataforma permite o monitoramento de cadastros, análise de desempenho, o agendamento de manutenções preventivas e corretivas, além da identificação de falhas.

Com dashboards interativos e relatórios automatizados, ajuda a economizar tempo, reduzir custos e elevar a qualidade dos serviços, promovendo eficiência operacional e gerencial no contexto de cidades inteligentes.

A Maitê Sant’Ana Vieira é engenheira civil pós-graduada em Gerenciamento de Obras, Qualidade e Desempenho da Construção.

Na Sanapp é responsável pelo desenvolvimento tecnológico e a inovação em soluções para a gestão inteligente de ativos de saneamento.

Maitê, 2025 foi um ano de fortes emoções para a Sanapp com a conquista do primeiro lugar na etapa nacional do Climate Launchpad 2025. Esse reconhecimento mostra a consistência do negócio. Conta um pouco da sua trajetória profissional até chegar nesta conquista.

Minha trajetória vem muito do campo. Sou engenheira civil e sempre trabalhei diretamente com obras e também na área de saneamento, sentindo na prática a dificuldade de acessar dados e informações confiáveis, atualizadas e integradas. A Sanapp nasceu justamente dessa dor real, vivida por nós, engenheiros, no dia a dia. Ao longo do tempo, ao lado do meu sócio, fui me aproximando cada vez mais da área de inovação e tecnologia, entendendo que o saneamento precisava evoluir para além do operacional, com informações rápidas para tomada de decisão baseada em dados reais e confiáveis. A conquista do Climate Launchpad 2025 foi resultado de muita persistência, validação constante da solução em campo, escuta ativa dos clientes e parceiros, além de um time extremamente comprometido com impacto real. Foi gratificante, porque mostrou que estamos no caminho certo, resolvendo um problema estrutural do país com tecnologia.

Vocês estão chegando longe, mas não estão sozinhos. Me conta com quais apoios vocês contaram para alavancar a startup, vocês conseguiram algum tipo de subsídio, incubação ou outros?

A Sanapp nunca caminhou sozinha. Desde o início buscamos nos conectar ativamente com o ecossistema de inovação e participar de iniciativas que realmente contribuíssem para a maturação do negócio. Ao longo dessa trajetória, fomos contemplados em editais públicos de fomento à inovação, como os da FAPESC e o Programa de Incentivo à Inovação da Prefeitura de Florianópolis, que foram fundamentais para estruturar a empresa e acelerar o desenvolvimento tecnológico. Também tivemos a oportunidade de integrar programas estratégicos, como o Sanepar Startups, no qual fomos uma das 10 startups selecionadas, além de iniciativas ligadas ao Itaipu ParqueTec, que fortaleceram nossa conexão com o setor de saneamento e inovação aberta. Atualmente, estamos incubados no CELTA, em Florianópolis, e participamos do SebraeHub, com a metodologia MIDITEC, o que tem sido essencial para o amadurecimento do modelo de negócio. Além disso, fazemos parte da ACATE, na vertical Smart Cities, e em 2025 participamos do Inovativa de Impacto Socioambiental, do CPSI Living Lab 5G da Prefeitura de Florianópolis, e do programa Empreendedoras Tech 2025, que tem papel fundamental no fortalecimento do empreendedorismo feminino e na ampliação do acesso a conhecimento, redes e oportunidades. Esses apoios nem sempre envolveram aporte financeiro direto, mas foram decisivos pelo acesso a mentorias qualificadas, aprendizado, conexões estratégicas, visibilidade e validação da solução.

Como vocês estão trabalhando com inovação, numa área que ainda é muito carente de tecnologia, vocês se preocuparam com Propriedade Intelectual? Consegue me dizer quais foram as principais preocupações nesta área?

Sim, desde o início tivemos essa preocupação. Atuamos em uma área sensível, com dados críticos de infraestrutura, então proteger a tecnologia sempre foi prioridade. Registramos nosso software, trabalhamos a proteção das marcas e temos muito cuidado com a forma como o conhecimento técnico é estruturado e compartilhado. Nossa maior preocupação sempre foi equilibrar inovação aberta — necessária para evoluir — com a segurança da informação e a proteção da solução desenvolvida. É um desafio constante, mas essencial para a sustentabilidade do negócio. Atualmente, estamos avançando na proteção da metodologia associada ao software, buscando seu enquadramento como uma invenção implementada por programa de computador. Esse movimento visa resguardar não apenas o código, mas principalmente a lógica, os processos e a inteligência embarcada na solução, que representam o principal diferencial tecnológico da Sanapp.

Quais são os planos para a SANAPP em 2026? Vocês já têm novos projetos no funil de inovação? Podemos esperar novas tecnologias? Existe ainda espaço para inovação?

2026 será um ano de consolidação e expansão. Temos novos projetos no funil de inovação, sim, principalmente envolvendo sensores IoT, inteligência artificial e visualização avançada de dados. Acreditamos que ainda existe e muito, espaço para inovação. O saneamento brasileiro ainda carece de soluções digitais integradas, baseadas em dados e focadas em eficiência. Nosso objetivo é seguir evoluindo a plataforma, ampliando parcerias e levando a Sanapp para mais municípios e empresas no Brasil e no mundo! Além disso, a Sanapp também está avançando na prospecção de novos mercados B2B, expandindo sua atuação para outros segmentos, como a área industrial. Nesses contextos, a tecnologia e a metodologia desenvolvidas permitem aplicações estratégicas em gestão de ativos, monitoramento de redes, eficiência operacional e apoio à tomada de decisão, ampliando o impacto da solução para além do saneamento público tradicional.

A presença feminina no mercado de saneamento brasileiro, embora ainda tímida e predominantemente masculina, está crescendo, impulsionada por empresas que buscam diversidade e inclusão, mas ainda enfrenta o desafio da baixa representatividade em cargos operacionais e de liderança. Quais conselhos você pode dar para meninas e mulheres que sonham em atuar na área?

Meu principal conselho é: não se intimidem. Ainda vivemos em um cenário em que muitas áreas estratégicas e posições de decisão são majoritariamente ocupadas por homens, mas isso não pode, e não deve, ser um fator limitante. Busquem conhecimento, ocupem espaços, façam perguntas, expressem suas ideias e, principalmente, confiem na sua própria capacidade de liderar, decidir e transformar realidades. Construir redes de apoio, trocar experiências e apoiar outras mulheres ao longo do caminho também é fundamental. Não precisamos nos encaixar em um padrão pré-estabelecido para sermos respeitadas. A diversidade de trajetórias, olhares e formas de liderança fortalece organizações, gera inovação e cria soluções mais completas para problemas complexos. No saneamento, isso é ainda mais evidente. Trata-se de um setor essencial, desafiador e com enorme impacto social e ambiental, que precisa de novas perspectivas, inovação e lideranças diversas. Há, sim, espaço para mulheres na operação, na gestão, na formulação de políticas públicas e no desenvolvimento de tecnologias: ocupando, conduzindo e transformando esses espaços com competência, sensibilidade e propósito.

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Fundadora da Leila Violin PI, mestre em engenharia e gestão do conhecimento e habilitada pelo INPI como agente da propriedade industrial.

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