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Visibilidade estratégica: menos vaidade, mais resultados

Foto: Freepik/divulgação

Falar do seu negócio é importante. Mas falar com quem assina o cheque é fundamental.

Essa talvez seja uma das questões mais negligenciadas da comunicação corporativa, especialmente quando se trata de assessoria de imprensa. “Quero sair no portal X, na revista Y, no programa tal” são frases que comumente o assessor escuta. E boa parte das vezes, quando questionamos “Mas por que você quer, especificamente, esse veículo?”, a resposta nem sempre é ligada ao que o negócio realmente precisa para fortalecer a sua reputação.

Não tem nada de errado querer ser reconhecido pelo jornalista que você admira e acompanha. Afinal, toda pauta positiva traz benefícios. Mas comunicação estratégica vai muito além de gosto pessoal e identificação.

Ainda existe a ideia de que assessoria de imprensa é sinônimo de aparecer em grandes veículos, de preferência nacionais, com manchetes que impressionam no grupo de WhatsApp. O problema é que visibilidade, sozinha, não paga boleto. Relevância, sim.

E é aqui que entra a importância da assessoria de imprensa segmentada.

Veículos do trade, portais especializados e mídias nichadas conversam diretamente com o público que interessa para cada negócio. São esses canais que falam com o decisor, com o investidor, com o gestor técnico, com quem realmente entende a dor que sua empresa resolve e, principalmente, com quem tem poder de compra ou influência sobre ela.

Assessoria de imprensa não é um produto “encaixotado”. Não existe fórmula pronta, pacote padrão ou press release que funcione igualmente para todas as marcas. Cada empresa tem um contexto, um momento, um objetivo estratégico diferente. E a comunicação precisa acompanhar isso.

Em muitos casos, o caminho não passa por pautas comerciais óbvias, mas pela construção de lastro. É um trabalho de médio e longo prazo, que envolve educar o mercado, posicionar porta-vozes, gerar autoridade e confiança. Nem sempre a pauta que parece excelente do ponto de vista da empresa é adequada para aquele grande veículo generalista — seja por linha editorial, timing ou interesse do público. Não adianta nada sonhar com a revista que, no senso comum, é a mais importante, mas não querer abrir informações que estejam alinhadas com a linha editorial. O jornalista não vai se interessar por um assunto só porque a empresa quer muito sair naquele veículo.

Isso não significa que a pauta seja ruim. Significa apenas que talvez aquele não seja o canal certo. E quando falamos de comunicação estratégica, falamos de fazer escolhas: escolher bem os veículos, olhar para os portais, podcasts, rádios, newsletter, revistas, e tantos outros formatos que conversem diretamente com o seu público-alvo. Um portal segmentado pode ser muito mais assertivo do que uma mídia de massa quando o objetivo é atingir um público específico. Ele pode ter menos leitores, mas os leitores certos. Pode ser pouco conhecido do grande público, mas fala diretamente com quem decide no seu setor.

Pense na seguinte cena: você chega para uma reunião presencial com um potencial cliente. Na recepção, sobre a mesa, há uma revista ou um portal aberto no tablet. Não é um grande jornal nacional. É um veículo direcionado à área de atuação dele: construção, tecnologia, indústria, moda, logística, inovação… aquele título talvez seja desconhecido para a maioria das pessoas, mas é leitura recorrente para quem decide.

É nesse ambiente que a sua marca precisa estar.

Para que isso aconteça, é essencial criar relacionamento. Conhecer os veículos do trade, entender o que cada um publica, quais pautas funcionam, quem são os jornalistas e editores, quais temas estão em alta e como sua empresa pode contribuir de forma legítima para aquela conversa. Assessoria de imprensa é, antes de tudo, sobre relacionamento e estratégia e não sobre volume de publicações.

A mídia segmentada permite uma comunicação mais profunda, mais contextualizada e mais alinhada com os objetivos do negócio. Ela abre espaço para temas técnicos, análises, tendências e visões de mercado que dificilmente teriam espaço em veículos generalistas, mas que são extremamente valiosos para quem está do outro lado lendo.

O próprio Economia SC é um bom exemplo disso. O portal conversa diretamente com o sistema de inovação de Santa Catarina, com empreendedores, líderes, investidores e profissionais que movimentam a economia do estado. É uma mídia segmentada, estratégica e conectada com quem faz o negócio acontecer na prática.

No fim das contas, assessoria de imprensa não é sobre aparecer mais, mas sobre aparecer melhor, com profundidade, técnica, coerência e credibilidade. É sobre estar no lugar certo, na hora certa, falando com quem realmente importa.

Porque falar do seu negócio é importante. Mas falar com quem pode decidir o futuro dele é essencial.

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Jornalista, assessora de comunicação e imprensa, fundadora e sócia-proprietária da Trevo Comunicação.

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