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Florianópolis entra no circuito da tokenização, mas o Brasil ainda precisa resolver o significado do “token”

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Foto: divulgação

Florianópolis passa a integrar o circuito nacional da tokenização com o evento promovido pela ABToken, reunindo mais de 70 empresas inscritas e especialistas para discutir ativos da economia real – RWAs (real world assets), regulação, stablecoins e infraestrutura de mercado. 

É o início de um movimento maior para ampliar o mercado e o desenvolvimento econômico de vários setores da indústria, principalmente voltado a PMEs em Santa Catarina.

A tecnologia da tokenização converte ativos da economia real em representações digitais (tokens) negociáveis em rede blockchain e plataformas de tokenização. 

É um movimento que o mercado financeiro tradicional já está fazendo rumo às finanças descentralizadas (DeFi), permitindo maior liquidez, transparência, auditabilidade, rastreabilidade e fracionamento de bens de alto valor para economia.

Os primeiros testes de tokenização de ativos reais (RWAs) surgiram por volta de 2017 e 2018, com foco inicial em imóveis e fundos imobiliários digitais. Em seguida, o interesse expandiu-se para outros segmentos, como commodities, crédito e private equity. 

Mas a questão central não é apenas tecnológica ou regulatória. É conceitual, de como se vê a tokenização pelo mercado e como se estrutura.

O problema brasileiro não é a tecnologia. É o signo.

O Brasil já é protagonista em RWA — especialmente em renda fixa digital, crédito, agro e imobiliário. A própria infraestrutura tecnológica está disponível. Plataformas e Exchanges brasileiras já movimentaram bilhões em emissões digitais.

O desafio está no entendimento da natureza jurídica do token. Por exemplo, um token não precisa ser necessariamente o imóvel. Pode ser a representação digital de determinados direitos sobre o imóvel ou da sociedade.

Se o mercado não entende claramente o que o token representa — direito real? crédito? valor mobiliário? participação societária? — gera-se ruído.
E ruído gera insegurança. 

É essa missão de novos movimentos que especialistas da área querem aproximar os setores da economia para entenderem benefícios do desenvolvimento da nova dinâmica econômica, mais eficiente e confiável.

Nos Estados Unidos, a NYSE caminha para infraestrutura em que o ativo já nasce on-chain, com liquidação instantânea.

No Brasil, em 2025 foram mais de 3 bilhões em ativos tokenizados e 2026 pode ser considerado o ano chave. Espera-se uma tração significativa de 3 a 5 anos, com a convergência total entre o “pix dos ativos digitais” – Drex em sua reestruturação – a tokenização e open finance em 2029, segundo o Banco Central.

Florianópolis pode ajudar a resolver essa equação pela vocação tecnológica

A ABToken lançou seu primeiro evento em 2026 em Florianópolis, liderada por Regina Pedroso, foi relevante porque desloca o debate para fora do eixo tradicional e aproxima a tokenização da economia real catarinense que já se aproveita da nova infraestrutura.

Santa Catarina possui base imobiliária forte, indústria consolidada, agro relevante e ecossistema tecnológico maduro, como a referência internacional da ACATE, liderada pelo presidente Diego Brites.

O que o mercado precisa agora

O Brasil já tem legislação suficiente para avançar com segurança sendo protagonista na tokenização. O que falta é a compreensão sobre aplicações dos tipos de tokens regulamentados, funções que desempenham, se for representar o ativo ou a sua propriedade (em discussão), tornando a migração para infraestrutura segura e sua distribuição mais acessível aos investidores. E isso se alcança com boas estruturações e governança. 

Um exemplo inovador apresentado no painel do evento é a Govfy, unindo o Legal + Proptech quer garantir soluções para estruturações sólidas de funding imobiliário. 

Desempenhar esse papel de estruturador, usando tecnologia blockchain em plataforma para gerar registros auditáveis, transparência, estruturações jurídicas regulamentadas e governança dos projetos, é o caminho para atrair capital com baixo custo de transação e maior liquidez. O negócio já se prepara para interoperabilidade com outros sistemas da construção civil. 

A tokenização não é apenas digitalização. É a reorganização da linguagem do capital que movimentará 10% da economia mundial até 2030.

Florianópolis entra no circuito nacional trazendo a segurança da tokenização em um momento crucial de escassez de crédito e altas taxas de juros. 

O desafio agora é transformar debate em estrutura e estrutura em mercado.

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advogado e fundador da Govfy.

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