A notícia da compra da Tasy, da Philips, pela Bionexo, mexeu com o setor de tecnologia no final do ano passado. A discussão reverbera ainda neste ano, em que nós, como empreendedores, executivos e lideranças, avaliamos as tensões, desafios e oportunidades que moldam o futuro do ecossistema para o segmento de saúde.
A decisão da Philips de vender a Tasy revela as dificuldades de escalar e internacionalizar um software de gestão hospitalar criado para a realidade brasileira. O sistema de saúde no Brasil é notoriamente complexo: fragmentado, com baixa interoperabilidade, regulado por diversas instâncias e marcado por uma convivência intensa entre setor público e privado. Esse cenário impõe barreiras significativas à exportação de soluções desenvolvidas localmente.
Além de boas ferramentas, operar tecnologia para saúde no Brasil exige profundo conhecimento local, adaptação constante e integração entre sistemas, processos e fluxos assistenciais. Produzir software de qualidade aqui demanda compreensão detalhada de regras, rotinas e realidades hospitalares distintas, espalhadas por um país continental.
Com a entrada da Bionexo, espera-se uma maior capacidade de execução e inovação. A combinação entre um ERP hospitalar robusto e uma plataforma com histórico de atuação como hub de relacionamento promete avanços em eficiência, integração de dados e valor gerado para o setor como um todo.
Os efeitos dessa operação deverão ser observados ao longo dos próximos anos. Em teoria, os clientes da Tasy podem se beneficiar de maior capacidade de atendimento, inovação e evolução do produto. Por outro lado, é plausível prever um aumento de custos, com novos modelos comerciais e monetização mais agressiva do ecossistema.
Nesse contexto, empresas menores ou especializadas precisam reforçar aquilo que já fazem bem. Organizações com expertise em interoperabilidade com a Tasy, por exemplo, podem ampliar seu espaço ao entregar integrações mais inteligentes e orientadas a resultados concretos.
Este também é um momento que exige um olhar estratégico para dentro: mapear gargalos operacionais não resolvidos, desenvolver soluções que complementam os grandes sistemas sem depender deles, e manter um alto nível técnico, com agilidade e foco em valor para o cliente, são caminhos para continuar relevante em um mercado cada vez mais consolidado.