“O quê? Você vai deixar para ver a sua comunicação só depois do Carnaval?” A pergunta pode soar provocativa, mas reflete um comportamento comum no mundo corporativo e empresarial: a ideia de que posicionamento, visibilidade e clareza na comunicação podem ser ajustados “mais adiante”, quando houver mais tempo, mais segurança ou mais preparo. O problema é que o mercado não funciona no modo espera.
Enquanto profissionais e empresas adiam decisões estratégicas sobre como se comunicam, concorrentes avançam. Produtos são lançados, contratos são fechados e oportunidades mudam de mãos. Muitas vezes, quem vende primeiro não é quem tem a melhor solução, mas quem consegue explicá-la com mais clareza, confiança e consistência.
No ambiente econômico atual, marcado por alta competitividade, excesso de informação e atenção escassa, comunicação deixou de ser um diferencial e passou a ser um ativo estratégico. Ela influencia diretamente vendas, reputação, liderança, valor de marca e crescimento profissional. Ainda assim, segue sendo tratada como algo secundário — um detalhe a ser “ajustado depois”.
Esse adiamento tem consequências práticas. Até lá, o concorrente saiu na frente. Até lá, alguém ofereceu um produto inferior, mas soube apresentar valor e convenceu o cliente. Até lá, aquele colega de trabalho foi promovido não necessariamente por ser mais técnico, mas por saber se posicionar melhor, defender ideias e assumir protagonismo.
Esperar estar 100% pronto é uma armadilha comum. A busca pela perfeição, na prática, gera paralisia. O medo de errar, de se expor ou de não parecer preparado o suficiente impede decisões que poderiam destravar resultados. Como já dizia Napoleon Hill, autor clássico da literatura de negócios: “A ação é o antídoto do medo.” É no movimento que ajustes acontecem, aprendizados surgem e a confiança se constrói.
Comunicação eficaz não nasce pronta. Ela é desenvolvida no uso, no contato com o mercado, no diálogo com clientes, equipes e stakeholders. Profissionais e empresas que entendem isso aproveitam oportunidades em tempo real, testam mensagens, refinam discursos e constroem autoridade ao longo do caminho.
Em economia, tempo é valor. Quem demora perde espaço. Quem age, aprende. Quem se comunica, lidera. A pergunta que fica não é se a comunicação deve ser prioridade, mas quando ela começa. E a resposta é simples: agora.