Início de mais um ano e as salas de reuniões (físicas e virtuais) estão inundadas com os famosos “kick-offs“. Líderes sobem ao palco (ou abrem a câmera) e gastam 40 minutos falando sobre “Sonho Grande”, “Sinergia 360” e como somos uma “Família”. Sabe o que o seu time está pensando enquanto você fala?
“Ok, mas como eu vou bater essa meta 20% maior com duas pessoas a menos na equipe?”
Em 2026, a inspiração barata está perdendo o valor. O mercado está rápido demais para frases de efeito. E não me entendam mal, não sou contra o discurso inspiracional (uso e gosto), mas levando em conta desafios econômicos, políticos (Brasil e Global), precisamos ter clareza de como atingir nossos resultados. Definir uma meta é fácil, mas nosso desafio enquanto liderança é dar direção, mostrar o caminho e participar ativamente desta construção.
O que move o ponteiro do engajamento hoje não é um vídeo motivacional com trilha sonora épica. É a clareza sobre três coisas:
- O que é prioridade REAL? (Se tudo é prioridade, nada é).
- O que vamos PARAR de fazer? (A lista de “descarte” é o maior presente que você pode dar ao seu time exausto).
- Quais obstáculos eu, como líder, vou RETIRAR da sua frente? (equipe tem que manter o foco para entregar dia a dia, cabe ao líder escolher quais guerras deve enfrentar)
O Veneno da Ambiguidade: O maior ralo de energia em uma empresa hoje não é o trabalho duro, é a ambiguidade. Quando o líder não tem coragem de dizer “não” para um projeto irrelevante, ele sobrecarrega os melhores talentos com tarefas que não movem o ponteiro do negócio. Em 2026, a liderança de elite é medida pela capacidade de proteger o foco do time. Se você não consegue explicar a estratégia do trimestre para um estagiário em dois minutos, você não tem estratégia, tem apenas uma lista de desejos confusa.
A Gestão por Resultados, não por Vigilância: Ainda vemos gestores tentando “liderar pelo olhar”, monitorando luzinhas verdes no Slack ou forçando idas ao escritório para garantir que as pessoas estejam “trabalhando”. Esse comportamento em 2026 é um atestado de incompetência gerencial. A motivação nasce da autonomia e da confiança. Não sou contra o presencial, pelo contrário, sou um adepto, mas o monitoramento para performance está fadado ao fracasso. O líder que tenta controlar o processo em vez de gerenciar o output está apenas criando um exército de funcionários que fingem produtividade enquanto procuram emprego em outro lugar.
A Honestidade Brutal como Ferramenta de Retenção: Há uma crença errada de que o líder deve filtrar todas as más notícias para “não desmotivar”. A Geração Z e os Millennials de alta performance farejam a falta de transparência a quilômetros de distância. Em 2026, o engajamento real vem de tratar adultos como adultos. Se o orçamento está apertado ou se o mercado está difícil, diga. Quando as pessoas entendem o contexto real do campo de batalha, elas se sentem parte da solução. O silêncio ou a “maquiagem” dos fatos é o que realmente mata a cultura de uma empresa.
A Morte do “Líder Herói”: O líder que tenta ter todas as respostas está fadado ao burnout e ao erro. Em 2026, valorizamos o líder que sabe dizer “eu não sei, mas vamos descobrir juntos”. A vulnerabilidade estratégica cria uma cultura de aprendizado contínuo, enquanto a arrogância do saber absoluto trava a inovação da equipe. Por isso, sempre valorizo quem utiliza o NÓS enquanto o EU.
O Foco na Sustentabilidade do Talento: Engajar não é mais sobre “fazer o time correr mais”, é sobre garantir que eles consigam correr por mais tempo. Líderes que ignoram a saúde mental e o equilíbrio de vida em nome de um Q1 agressivo descobrirão que não terão time para chegar ao Q3. O turnover principalmente na linha de gestão é o maior indicador de uma liderança tóxica.
Pergunta de início de ano: Qual é a maior “pedra no sapato” que, se fosse removida hoje, faria o seu 2026 decolar de verdade?