Santa Catarina é um estado moldado pela indústria. Não apenas pelos produtos que saem de suas fábricas, mas pelas histórias que se constroem ao redor delas. Em diferentes regiões, empresas ajudaram a desenhar cidades, formar profissionais, gerar oportunidades e criar um senso muito particular de pertencimento. Aqui, indústria nunca foi só negócio, sempre foi comunidade.
Ao chegar a Santa Catarina, vindo de outros contextos e mercados, uma das coisas que mais me chamou atenção foi exatamente isso: a força das raízes. Há indústrias com décadas de história que atravessaram gerações, ciclos econômicos, transformações tecnológicas e mudanças profundas no comportamento do consumidor sem perder aquilo que as tornou relevantes desde o início.
A Ceramica Portobello é parte desse tecido. Com quase cinco décadas de existência, sua trajetória se confunde com a de muitas famílias que encontraram na indústria mais do que uma fonte de renda, encontraram um lugar de desenvolvimento, de aprendizado contínuo e de construção coletiva. Honrar essa história não é apenas respeitar o passado; é entender de onde vem a força que sustenta o futuro.
Esse equilíbrio entre essência e inovação talvez seja um dos maiores desafios das organizações que crescem, ganham escala global e precisam, ao mesmo tempo, se manter competitivas em um mercado em constante transformação. Como evoluir sem se descaracterizar? Como incorporar novas tecnologias, novos modelos de trabalho e novas expectativas sem romper com aquilo que dá identidade à empresa?
Não existe fórmula pronta. Mas existe clareza sobre um ponto fundamental: o futuro não surge do acaso. Ele nasce do que cultivamos todos os dias — da cultura, dos valores, da forma como tomamos decisões e, principalmente, da maneira como cuidamos das pessoas que constroem a empresa junto conosco.
Indústrias longevas entendem que inovação não é ruptura pura e simples. Ela é continuidade com consciência. É olhar para a história não como um peso, mas como um ativo. Transformar a trajetória em legado exige intencionalidade: preservar o que faz sentido, questionar o que já não responde às necessidades do mercado e abrir espaço para o novo com responsabilidade.
Do ponto de vista de quem vem de fora, liderar uma empresa com tanta relevância regional é também um exercício constante de escuta e aprendizado. Conhecer Santa Catarina por meio da sua indústria é entender como a atuação local pode (e deve) dialogar com uma visão global. É essa combinação que permite competir no mundo sem perder a identidade construída ao longo do tempo.
Vejo, cada vez mais, que organizações fortes são aquelas capazes de criar conexões verdadeiras: entre passado e futuro, entre estratégia e cultura, entre resultados e propósito. Para os colaboradores, isso se traduz em pertencimento. Para o mercado, em consistência. Para a sociedade, em impacto positivo e duradouro.
Ao longo deste ano, pretendo compartilhar reflexões sobre liderança, cultura, inovação, tecnologia e os caminhos da indústria em um cenário cada vez mais complexo e interconectado. Sempre com um olhar prático, humano e atento às transformações que já estão acontecendo, muitas delas silenciosas, mas profundamente estruturais.
Porque, no fim, o futuro que queremos construir começa exatamente aí: na essência que escolhemos viver todos os dias.