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2026 já chegou. E o mercado imobiliário não vai esperar ninguém se adaptar

Foto: divulgação.

Por Michel Deunizio, fundador da SCALE.

2026 já começou e se ainda tem gente tratando esse ano como “futuro”, tem algo errado na leitura de cenário.

O mercado imobiliário entrou em 2026 em movimento. Não foi com barulho, nem com ruptura brusca, mas com mudanças claras para quem acompanha o jogo de perto. E como sempre acontece, quem se antecipa colhe. Quem espera confirmação demais, corre atrás depois.

A redução das taxas de juros, mesmo acontecendo de forma gradual, já mudou o humor do mercado. O crédito voltou a fazer sentido, o comprador está menos travado e a conversa deixou de ser “vou esperar mais um pouco” para “se eu não decidir agora, posso perder a oportunidade”.

Em ciclos assim, quem entende o timing sai na frente. Quem espera o cenário ideal, geralmente compra mais caro ou vende com mais dificuldade.

E os números já vinham dando esse sinal antes mesmo da virada do ano.

Segundo o Índice FipeZAP, os preços dos imóveis residenciais no Brasil subiram 6,52% em 2025, uma das maiores altas dos últimos 11 anos, superando a inflação no período. Isso mostra que, mesmo em um cenário de juros elevados ao longo do ano passado, o mercado seguiu valorizando, e quem ficou parado, perdeu valor relativo.

Ao mesmo tempo, 2026 escancarou um ponto crítico: a demanda segue mais aquecida do que a oferta. Não falta gente interessada em comprar. Falta produto bem estruturado, com preço coerente, proposta clara e aderente ao perfil do comprador atual. O mercado não está seletivo por capricho. Está seletivo porque amadureceu.

Dentro desse cenário, o Minha Casa Minha Vida continua sendo uma das maiores âncoras do setor. Ele não só mantém volume, como dá previsibilidade. Em um mercado que oscila, previsibilidade vira ativo.

Não por acaso, projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que o volume de vendas de imóveis deve crescer cerca de 10% em 2026, impulsionado principalmente pela força da demanda e pela retomada gradual do crédito.

Ignorar o peso do MCMV é ignorar um dos motores mais consistentes do imobiliário brasileiro.

Outro movimento que já deixou de ser tendência e virou realidade são os imóveis de rendimento e de ticket mais baixo.

O investidor está mais racional. Ele quer liquidez, proteção e retorno claro. Menos discurso aspiracional, mais planilha. Studios, compactos e produtos pensados para renda passaram a ocupar o centro da estratégia, não mais a borda.

E tudo isso se conecta diretamente ao aumento das taxas e dos valores de locação. Alugar ficou mais caro, mais disputado e, em muitos casos, mais vantajoso para quem investe do que para quem mora.

Isso muda o comportamento do comprador, muda o discurso de venda e exige muito mais preparo de quem está na linha de frente do mercado.

2026 não é um ano para operar no automático. É um ano que cobra leitura de cenário, tomada de decisão mais rápida e menos apego a fórmulas que funcionaram no passado.

O mercado imobiliário sempre recompensa quem entende o jogo antes da maioria. E pune, sem aviso prévio, quem insiste em jogar como se nada tivesse mudado.

2026 já está aí. A pergunta não é se o mercado mudou. É se você mudou junto com ele.

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