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O “teto invisível” das empresas familiares e por que ele surge na fase de sucessão

Foto: divulgação

Você sabia que, quando analisamos a estrutura empresarial brasileira, ela é majoritariamente, um país de empresas familiares?

Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e dados consolidados por estudos do Sebrae e do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), cerca de 90% das empresas brasileiras possuem origem ou controle familiar, e respondem por parcela significativa do PIB e da geração de empregos no país. São a espinha dorsal da economia regional.

Esses negócios nasceram da coragem, da intuição e da velocidade decisória do fundador e durante anos, esse modelo foi altamente eficaz. A proximidade com clientes, a autoridade centralizada e a informalidade operacional garantiram agilidade competitiva.

O problema surge quando crescimento e complexidade deixam de ser lineares, e essas empresas crescem com base no  talento do empreendedor chefe, mas não necessariamente crescem com base em sistema estratégico, plano de negócios e governança.

É nesse ponto que Aline Freitas percebe o movimento que pode ser chamado de “teto invisível do crescimento”. Segundo sua experiência à frente da Côncavo Consultoria, não se trata de limitação de mercado, mas sim de limitação estrutural, decisões sem clareza, plano sem eficiência e rentabilidade.

Ela destaca que, à medida que a empresa amplia faturamento, quadro societário, portfólio e base de clientes, suas decisões passam a exigir previsibilidade, modelagem financeira, indicadores consistentes e clareza de papéis, e o que antes era resolvido por proximidade e centralização torna-se vulnerável à informalidade.

Dados do IBGC indicam que apenas cerca de 30% das empresas familiares sobrevivem à passagem para a segunda geração, e menos de 15% chegam à terceira, e grande parte dos dados atribui isso a conflitos familiares. Já a análise estrutural aponta outra razão: ausência de planejamento estratégico profissionalizado e governança formal.

Aline Freitas tem se dedicado exatamente a esse ponto de inflexão empresarial, como especialista em planejamento estratégico, governança, processos e inovação, com trajetória que combina atuação em multinacionais e estruturação de modelos organizacionais complexos, sua leitura é objetiva: empresas familiares não travam por falta de mercado, travam por falta de método, planejamento e organização.

O que diferencia empresas que atravessam gerações daquelas que se dissolvem não é apenas sucessão formal, mas capacidade de transformar visão empreendedora em sistema estratégico orientado por dados.

Planejamento, nesse contexto, não é documento decorativo, mas uma arquitetura decisória. Empresas familiares operam historicamente, orientadas pela lógica da experiência acumulada, e não nos interprete mal, essa experiência é valiosa, mas não substitui estratégia e planejamento orientado.

Aline percebe nas suas consultorias, desde indicadores financeiros mal definidos, ausência de metas estratégicas, até a inexistência de rotina de monitoramento dos dados e uma completa falta de definição clara sobre papéis societários que só criam fragilidades que aparecem em momentos de pressão econômica.

O cenário brasileiro agrega complexidade com volatilidade macroeconômica, carga tributária elevada, mudanças regulatórias frequentes e transformação digital exigem capacidade de adaptação constante e empresas que tomam decisões com base em dinâmica familiar e não em inteligência de mercado ficam vulneráveis por questões óbvias.

Segundo ela, a estratégia precisa ser dinâmica e orientada por evidências, respeitando a essência do negócio, mas protegendo o que sustenta a empresa: rentabilidade e continuidade. E, muitas vezes, isso significa que o planejamento deve apontar mudanças estruturais: revisão de portfólio de produtos, reorganização societária e profissionalização de cargos-chave, para construir uma sucessão formal que funcione na prática.

Essa é uma mudança cultural profunda e até dolorosa, e em muitos casos, a resistência não está na incapacidade financeira de estruturar governança, mas na dificuldade de dissociar empresa e sobrenome, enquanto instâncias decisórias.

O trabalho que Aline desenvolve com pequenas e médias empresas familiares, parte de diagnóstico técnico que valida os fundamentos do negócio, lucratividade, modelo econômico, posicionamento e capacidade real de crescimento.

Com a direção clara, e ajustada quando necessário, o trabalho avança, para organização e estruturação: ajustes operacionais, mapeamento de gargalos e construção de indicadores capazes de traduzir visão em decisão e decisão em prática mensurável.Não se trata de burocratizar o negócio, mas sim de reduzir dependência de decisões centralizadas e criar previsibilidade.

Essa análise, indica que, o que está em jogo não é só a eficiência operacional, mas a preservação patrimonial e empresas familiares que não estruturam sucessão e governança passam a depender excessivamente da permanência ativa da pessoa fundadora. Esse modelo se torna insustentável diante de transição geracional, cria divergências estratégicas internas e bate de frente com mudanças abruptas no mercado que precisam de respostas ágeis e imediatas.

O Brasil vive hoje um momento crucial em que, muitas empresas criadas nas décadas de 80 e 90 estão entrando em fase sucessória e a diferença entre continuidade e dissolução será determinada pela presença ou ausência de planejamento estruturado, papel fundamental da Aline nesse mercado.

“Estratégia baseada em dados não é tendência, mas  instrumento obrigatório de proteção do legado empresarial”, complementa.

Se o ciclo anterior da economia brasileira premiou coragem e velocidade, o próximo ciclo premiará estrutura e inteligência estratégica e empresas familiares que desejam atravessar mais algumas décadas precisarão abandonar o modelo de crescimento informal e adotar governança, indicadores claros e planejamento sucessório estruturado.

Crescer, até o momento, foi mérito da pessoa que fundou, mas sustentar crescimento com eficiência e garantir transição com rentabilidade,  será mérito do método.Empresas que decidem profissionalizar esse processo contam hoje com metodologias aplicadas por consultorias especializadas, como a Côncavo Consultoria, liderada por Aline Freitas, dedicada à organização estratégica e sucessória de PMEs familiares brasileiras.

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