A implementação da duplicata escritural começa a reorganizar o mercado de crédito corporativo e deve intensificar a concorrência entre bancos, fintechs e fundos na disputa pelo financiamento a pequenas e médias empresas (PMEs).
Prevista na agenda regulatória do Banco Central, a medida cria uma infraestrutura eletrônica padronizada para registro, controle e rastreabilidade de recebíveis, ativo central na concessão de capital de giro.
Ao vincular a duplicata à nota fiscal eletrônica, ao aceite do comprador e à liquidação do pagamento, o novo modelo reduz riscos como a sobreposição de garantias e falhas de registro, historicamente presentes no mercado. Para financiadores, a rastreabilidade integral tende a melhorar a precificação de risco e abrir espaço para compressão de spreads.
“O recebível passa a ter histórico, trilha de auditoria e liquidação registrada em tempo real. Isso reduz incerteza e permite uma precificação mais eficiente. Quando o risco cai e a informação melhora, a competição aumenta — e quem ganha é a empresa que precisa de crédito”, afirma Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera.
A expectativa no setor é que a padronização da informação estimule a entrada e a expansão de novos players. Com maior segurança jurídica e operacional, bancos médios, fintechs e FIDCs podem disputar operações com taxas mais ajustadas, pressionando margens de instituições tradicionais.
Posicionada na infraestrutura do crédito B2B, a Nexxera, maior ecossistema de serviços financeiros, supply chain e crédito do Brasil. conecta atualmente mais de 1,2 milhão de empresas e atua como hub de integração entre companhias, financiadores e registradoras.
Para a empresa, a duplicata escritural deve acelerar a digitalização das operações com recebíveis, incluindo antecipação e alongamento de prazos de pagamento, e ampliar o volume de operações estruturadas dentro de um ambiente mais transparente.
“Estamos falando de uma mudança estrutural na forma como o crédito corporativo é originado e distribuído no Brasil. A duplicata escritural cria uma base mais segura para escalar operações e democratizar o acesso ao capital de giro”, complementa.
Se a implementação seguir o cronograma regulatório, o mercado pode assistir, nos próximos anos, a uma reconfiguração relevante na dinâmica do crédito para PMEs, com mais competição, maior liquidez e potencial redução de custos financeiros.