Criada a partir de um desafio real da administração municipal de Lages, na serra catarinense, a Gerencit é uma govtech que desenvolve soluções digitais para melhorar a comunicação entre cidadãos e prefeituras.
A startup surgiu dentro do programa Conecta Lages, promovido pelo Orion Parque Tecnológico, uma das 12 unidades da Rede MIDIHUB, iniciativa da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) em parceria com o Sebrae/SC, e evoluiu de um projeto piloto para uma plataforma que centraliza demandas da população, organiza fluxos internos do poder público e transforma essas interações em dados para apoio à decisão.
Na entrevista abaixo, Kleverton Antunes, CEO da Gerencit, conta um pouco mais sobre a origem da startup, o impacto da incubação, o momento atual do negócio e as perspectivas para a inovação e a tecnologia em Santa Catarina.
1. Como surgiu a startup e qual problema ela resolve?
A Gerencit surgiu a partir de um programa de inovação aberta chamado Conecta Lages, promovido pelo Orion Parque Tecnológico em parceria com a Prefeitura de Lages (SC). Em 2022, submetemos o projeto ao programa e fomos selecionados para realizar um piloto de um ano no município. A principal necessidade identificada pela prefeitura era melhorar a comunicação entre os cidadãos e a gestão municipal, que até então ocorria de forma fragmentada, pouco rastreável e com baixa capacidade de gerar dados para apoio à decisão. A partir desse desafio real, a Gerencit foi desenvolvida como uma solução que centraliza as demandas da população, organiza os fluxos internos da prefeitura e transforma essas interações em informações estratégicas para os gestores. Hoje, a Gerencit resolve o problema da desorganização das demandas públicas e da falta de dados estruturados, promovendo mais eficiência, transparência e capacidade de planejamento para os municípios.
2. Qual foi o impacto da incubação na evolução do negócio?
A incubação foi decisiva para a evolução da Gerencit. Estarmos inseridos no ecossistema do Orion Parque Tecnológico permitiu transformar um piloto em um produto com visão de escala. Durante esse período, conseguimos validar a solução em um ambiente real, entender as dores da gestão pública e ajustar o produto com base no uso prático pelos cidadãos e servidores municipais. Além disso, a incubação trouxe acesso a mentorias, conexões estratégicas e suporte para estruturar o modelo de negócio, a governança e o posicionamento da Gerencit como uma govtech. Esse processo acelerou a maturidade da empresa e reduziu riscos comuns às fases iniciais de startups.
3. Em que momento a empresa está hoje e quais são os próximos passos?
Atualmente, a Gerencit está em uma fase de consolidação do produto e expansão comercial. A plataforma já passou pela validação prática no setor público e evoluiu para uma solução mais robusta, incluindo módulos de gestão de demandas, apoio à decisão e monitoramento, como o módulo de prevenção de arboviroses baseado em dados georreferenciados. Os próximos passos incluem ampliar a atuação em outros municípios, fortalecer parcerias estratégicas, participar de licitações e programas de fomento, além de evoluir ainda mais a plataforma com dashboards de indicadores por município e métricas de impacto. O foco é crescer de forma estruturada, mantendo aderência às realidades da gestão pública municipal.
4. Como a startup enxerga o futuro da tecnologia e da inovação em Santa Catarina, e de que forma pretende contribuir para esse cenário?
Santa Catarina possui um ecossistema de inovação cada vez mais forte, com iniciativas que conectam o setor público, empresas e parques tecnológicos. Acreditamos que o futuro da tecnologia no estado passa pela inovação orientada a problemas reais, especialmente em áreas como governo digital, cidades inteligentes e serviços públicos mais eficientes. A Gerencit pretende contribuir para esse cenário atuando como uma govtech que nasceu dentro de um programa de inovação aberta e segue comprometida com a transformação da gestão pública. Nosso objetivo é ajudar municípios catarinenses e de todo o país a utilizarem tecnologia e dados para melhorar a comunicação com os cidadãos, aumentar a transparência e tornar a administração pública mais eficiente e orientada a resultados.
Rede MIDIHUB abre inscrições para startups de base tecnológica em SC
A Rede MIDIHUB, maior rede de incubadoras do Brasil, está com inscrições abertas para startups de base tecnológica interessadas em ingressar em seu programa de incubação. O período de candidatura vai até 8 de março e oferece vagas em 12 incubadoras espalhadas por Santa Catarina. Inscrições clicando aqui.