Por Cristiane Tonet, diretora de operações do Grupo Sancon.
Muito se fala sobre decisões baseadas em dados, mas, na prática, ainda é comum encontrar empresas onde os indicadores existem, porém não são usados de forma consistente pelas lideranças.
Dashboards estão disponíveis, relatórios são gerados, mas, no dia a dia, as decisões continuam sendo tomadas mais pela intuição do que pela análise.
Construir uma cultura orientada a dados não significa apenas implantar ferramentas ou definir KPIs. Trata-se de criar um ambiente em que os dados façam sentido para quem decide, ajudem a responder perguntas reais do negócio e estejam conectados aos objetivos estratégicos da organização.
Um dos principais pontos para engajar lideranças é garantir que os indicadores estejam diretamente ligados às metas estratégicas.
Quando um gestor consegue enxergar, de forma clara, como determinado indicador impacta o resultado da empresa, o dado deixa de ser apenas um número e passa a ser um apoio concreto à tomada de decisão. Indicadores soltos, desconectados da estratégia, tendem a ser ignorados.
Outro fator decisivo é a forma como esses dados são acompanhados. Indicadores precisam fazer parte da rotina, estar presentes em reuniões, revisões periódicas e discussões estratégicas. Quando o acompanhamento é esporádico ou burocrático, o uso perde força.
Já quando os dados são utilizados como base para ajustes, correções de rota e definição de prioridades, eles passam a ter valor real para a liderança.
Também é fundamental que o acesso à informação seja simples e confiável. Lideranças precisam ter segurança nos dados que estão analisando. Informações desatualizadas, descentralizadas ou difíceis de interpretar geram desconfiança e afastam o gestor do uso dos indicadores.
Plataformas que centralizam dados, integram fontes e apresentam informações de forma clara ajudam a criar essa relação de confiança.
Vale lembrar que cultura orientada a dados não é sobre substituir pessoas por números, mas sobre usar dados para apoiar decisões melhores. Quando os indicadores ajudam líderes a antecipar riscos, identificar oportunidades e acompanhar a execução da estratégia, o engajamento acontece de forma natural.
No fim, o desafio não está em convencer as lideranças da importância dos dados, mas em mostrar, na prática, que eles facilitam a gestão.
Quando estratégia, indicadores e planos de ação estão conectados, os dados deixam de ser um fim em si mesmos e se tornam um meio para decisões mais conscientes, alinhadas e eficazes.