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Por que líderes emocionalmente despreparados estão adoecendo equipes

Foto: divulgação.

Por Mauro Koch, palestrante e mentor de carreiras e líderes.

Durante muito tempo, entendeu-se que a única responsabilidade de uma liderança era garantir resultados, ou seja, metas batidas e entregas em dia eram vistos como sinais de sucesso.

Mas o mundo do trabalho mudou, e, com ele, as expectativas sobre quem ocupa posições de comando.

Hoje, liderar também significa cuidar de pessoas. E muitos gestores, apesar da alta capacidade técnica, ainda não estão preparados para isso.

A 7ª edição da pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, fruto de uma parceria entre a The School of Life e a Robert Half, apontou que 86,4% dos líderes e 87,2% dos liderados afirmam que o bem-estar mental e emocional têm muita influência no desempenho profissional de um indivíduo.

Ou seja, há um reconhecimento quase unânime de que saúde emocional não é um tema para ser ignorado.

Ainda assim, na prática, vemos ambientes liderados na base da comunicação agressiva e baixa empatia. E esse é um dos fatores que mais contribuem para o adoecimento das equipes.

Um líder emocionalmente despreparado pode apresentar comportamentos explosivos ou autoritários, incapacidade de dar feedbacks construtivos, dificuldade de lidar com conflitos, ausência de reconhecimento dos liderados ou expectativa de que todos performem no limite o tempo inteiro.

São pequenas atitudes repetidas diariamente que constroem um clima de tensão.

Para melhorar esse cenário, o primeiro passo é investir no autoconhecimento das lideranças. Líderes que compreendem suas próprias emoções conseguem reagir com mais equilíbrio diante da pressão e evitam transferir suas frustrações para a equipe.

Além disso, desenvolvem maior capacidade de escuta, uma habilidade simples, mas ainda rara em muitos ambientes corporativos.

Outro ponto é entender que liderança não se sustenta apenas na autoridade do cargo, mas na qualidade das relações construídas no dia a dia. Respeito e coerência fortalecem a confiança. E confiança, por sua vez, reduz o estresse e amplia o comprometimento.

Nesse sentido, as empresas também precisam assumir sua parcela de responsabilidade. Não basta cobrar líderes mais humanos sem oferecer preparo, portanto é essencial investir em treinamentos, mentorias e palestras que guiem os profissionais em cargos de liderança.

Se a performance alcançada pela equipe depende do esgotamento das pessoas, o custo virá e os resultados não irão se sustentar a longo prazo.

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