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Sobre escolher estar na curva

Foto: divulgação

Essa semana me perguntaram se eu não tenho medo do marketing mudar tanto. Eu pensei alguns segundos antes de responder. Não por dúvida. Mas porque achei curioso.

Eu teria medo se ele não mudasse.

Todo mundo fala sobre o profissional do futuro.

Adaptável. Criativo. Multitarefa. Tech-driven. Emocionalmente inteligente.

Mas quase ninguém fala sobre contexto.

Existe uma diferença enorme entre ser competente e estar no lugar certo. No lugar errado, mesmo entregando seu melhor, nada parece suficiente. No lugar certo, sua presença já constrói valor.

E isso não é sobre autoestima. É sobre ambiente.

Eu tenho pensado muito na ideia de curva. Toda inovação passa pelo pico das expectativas infladas. Depois vem o vale da desilusão. Só depois chega a maturidade.

Já vimos isso com inbound. Com growth. Com ESG. Estamos vendo com IA.

No pico, todo mundo vira especialista. No vale, só permanece quem entende base.

Talvez a habilidade mais subestimada do profissional do futuro seja saber atravessar o vale.

Não romantizar o hype. Não abandonar no primeiro ruído. Não se apegar ao discurso quando o resultado exige estrutura.

Outra coisa que eu aprendi ao longo da carreira é a equação receita x aprendizado.

Existem momentos de muito aprendizado e pouca receita. Existem momentos de estabilidade e menos novidade. Existem fases de aceleração financeira.

Nada disso é certo ou errado. Errado é não saber por que você está escolhendo aquilo.

Quando eu escolhi marketing, eu escolhi uma profissão que vive em movimento. Eu gosto de rotina, de método, de processo. Mas gosto ainda mais de não ser a mesma profissional todos os anos.

Eu gosto de estudar comportamento quando muda algoritmo. Eu gosto de entender estratégia quando muda tecnologia. Eu gosto de reconstruir narrativa quando muda cenário. Eu não quero uma carreira linear. Eu quero uma carreira consciente.

Talvez o profissional do futuro não seja o que acumula mais certificações. Mas o que entende onde está na curva. O que escolhe ambientes onde sua presença é celebrada. O que sabe quando priorizar aprendizado. O que não endurece.

O marketing vai mudar de novo.

Ainda bem.

Eu escolhi uma profissão que me obriga a evoluir.

E, sinceramente, isso me tranquiliza.

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Head of Revenue na SalesHunter, professora e mentora de startups.

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