O turismo de hoje e do futuro não consome apenas cidades isoladas, mas sim territórios. Para um visitante vindo de grandes centros como São Paulo ou Curitiba, acostumado a deslocamentos diários exaustivos no trânsito, a distância entre as cidades do Vale Europeu é quase que insignificante.
Na percepção desse turista, Blumenau, Pomerode, Timbó, Rodeio e as belezas naturais da região fazem parte de um único conjunto de vivências. No entanto, a divisão entre os municípios ainda é o maior gargalo para a retenção do público e do capital na nossa região.
O fim da competição entre vizinhos
A suposta disputa por atrações entre municípios vizinhos é um erro de leitura de mercado. Quando uma cidade inova em parques temáticos, outra se consolida no cicloturismo e uma terceira preserva a arquitetura e as raízes culturais, quem ganha é o ecossistema regional.
O papel de Blumenau, como polo de serviços, é atuar como a base de hospitalidade e logística. O visitante busca o conforto, a estrutura e a variedade de uma cidade para, a partir dela, explorar as cidades vizinhas em deslocamentos rápidos de 30 a 1 hora. É o que o mercado chama de efeito cluster: quando empresas e cidades do mesmo setor trabalham próximas e integradas, elas se tornam muito mais fortes do que se estivessem sozinhas.
O valor da natureza e o aumento da permanência
O cálculo econômico é simples: um turista que visita apenas uma cidade permanece, em média, um dia e meio. Um turista que entende o Vale Europeu como um roteiro integrado estende sua estada para quatro ou cinco dias.
A logística do deslocamento pelo interior de Santa Catarina é um ativo. O trajeto entre as cidades, cercado por morros, cachoeiras e o verde preservado, é uma experiência estética de contemplação que o turista urbano valoriza. Ao reter o turista por mais tempo através da diversidade regional, unindo o charme das vilas alemãs e italianas ao vigor da nossa natureza, elevamos o faturamento de toda a cadeia de serviços, do hotel ao pequeno produtor local.
O mercado exige que paremos de vender apenas pontos turísticos e passemos a entregar roteiros pensados, de fácil execução. O turista quer facilidade. O empresariado de Blumenau precisa ser o maior entusiasta do sucesso das cidades do entorno.
Pensar como região para competir no mundo
A regionalização do turismo é a única via para transformarmos o Vale Europeu em um destino nacional e internacional de fato. A beleza, o sabor e a alma que oferecemos em nossas operações individuais só ganham escala econômica real quando integradas. O desafio para o empresário e para o poder público nos próximos anos é transformar fronteiras geográficas em pontes de negócios.