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Startup de SC desenvolve projeto inédito no Brasil para incentivo à leitura

Foto: Milena Nandi/Fapesc.

Por meio de totens inteligentes, a startup Flash Reader, de Videira, oferece ao público a possibilidade de imprimir capítulos de livros, crônicas, poemas e conteúdos culturais em formato de cupom fiscal, permitindo ao leitor, de maneira gratuita, a escolha de títulos que se encaixam ao tempo que a pessoa tem para a leitura.

A iniciativa é inédita no Brasil e foi desenvolvida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do Programa Nascer.

A startup possui clientes no estado e já iniciou a expansão para fora de Santa Catarina, levando o projeto para espaços em São Paulo, como a Bienal Internacional do Livro e a área temática da Turma da Mônica na MSP Estúdios.

A ideia inicial, que surgiu durante a pandemia, encontrou em 2023 no programa realizado pela Fapesc em parceria com o Sebrae/SC, o apoio necessário para ser lapidada e se transformar em um negócio.

No mesmo ano, a Flash Reader foi a vencedora do pitch final do Programa Nascer entre os projetos da turma do programa em Videira, e recebeu fomento de R$ 20 mil.

Segundo Ângela Zatta, escritora e sócia da startup, o recurso recebido foi um divisor de águas para o projeto.

“Além de orientações para organizar a ideia e montar a startup, precisaríamos de mais capital do que tínhamos para iniciar as atividades. Foi aí que conhecemos o Nascer e eu me inscrevi para participar. Todo o aprendizado foi muito valioso e ainda ficamos em primeiro lugar da turma, o que nos garantiu um recurso muito importante, usado para desenvolver o software do Flash Reader do zero”.

A partir da participação no Nascer, o projeto que foi pensado em conjunto por Ângela, seus pais e o marido dela, o doutor em Geografia, Diego da Luz Rocha, iniciou o período de desenvolvimento de todo o produto, das especificações técnicas do totem, passando pelo desenvolvimento do software até a curadoria dos conteúdos.

O primeiro totem inteligente foi instalado no Centro de Inovação de Videira, em 2024.

Atualmente, a startup tem como clientes instituições de ensino superior, espaço maker, hotéis, museus e bibliotecas em cidades catarinenses como Videira, Caçador, Fraiburgo e Rio das Antas.

Em fevereiro de 2026, passou a atender Chapecó, com a instalação de um totem na Biblioteca Pública Municipal Neiva Maria Andreatta Costella.

Ângela é responsável pela curadoria de conteúdo oferecido pela Flash Reader e explica que o totem pode ser utilizado por um público variado, já que os materiais são pensados para promover a inclusão de pessoas a partir dos três anos.

Ela explica que além dos conteúdos constantes na programação do totem, a startup oferece uma customização de acordo com as necessidades do cliente. Além disso, a empresa também inclui obras de autores regionais e produz conteúdos com informações relacionadas ao município onde o totem está instalado.

“Oferecemos conteúdos técnico-científicos, literários, informações turísticas e de artistas locais, obras regionais, tirinhas e histórias para colorir. Fizemos todo um layout diferenciado para a programação do cliente e vamos atualizando de acordo com a necessidade”.

Em 2024, a Flash Reader esteve na Bienal Internacional do Livro de São Paulo com três totens inteligentes, dois no Espaço Infâncias e um no espaço da Turma da Mônica e registrou 22 mil impressões únicas. O sucesso foi tanto que no mesmo ano, a startup levou três totens para um espaço da Turma da Mônica em São Paulo. Depois da experiência, Ângela conta que foi firmada uma parceria com o MSP Estúdios, onde há um totem para a impressão de tirinhas na área temática da Turma da Mônica.

Diego, que é responsável pela área comercial da startup, conta que a empresa oferece aos clientes a modalidade tanto de compra do equipamento quanto do aluguel e que a maior parte dos clientes são entes públicos. E os clientes, segundo ele, têm participação importante no aprimoramento do produto, por meio de feedbacks.

“Iniciamos com um totem maior e reto e foi percebido que estava faltando acessibilidade. Mudamos o modelo e o totem que instalamos em fevereiro na Biblioteca Pública de Chapecó, por exemplo, já é o modelo totalmente acessível e seguindo as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Uma pessoa cadeirante, se posicionando em frente ou ao lado do totem, vai conseguir utilizar tranquilamente, assim como uma criança a partir dos três anos. Também incluímos alguns conteúdos impressos em libras ou em áudio que podem ser acessados por meio de um QR Code por pessoas com deficiência visual ou auditiva”.

O cliente pode acompanhar o painel de impressões em tempo real, podendo assim gerar dados. Dados estes, que Ângela considera importante para aferição dos resultados da “biblioteca móvel”. A última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024, revelou, pela primeira vez, que o país tem mais não leitores que leitores.

“As pesquisas mostram que as pessoas não leem textos maiores do que 10 páginas e isso nos preocupa bastante. Por isso, nosso produto vem na perspectiva de formação de leitores, como histórias curtas ou trechos de livros, para primeiro encantar o público com algo que já está familiarizado, que é a tela e possibilitar que pessoas de diferentes idades tomem gosto pela leitura ou mesmo reaprendam a gostar de ler, podendo levar os papeis impressos para qualquer lugar”.

E falando em impressão, a startup faz uma compensação ambiental pelo uso de papel, doando mudas de árvores frutíferas para escolas públicas do Oeste catarinense.

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