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O que realmente conta para chegar ao conselho?

Foto: KATRIN BOLOVTSOVA/Pexels

Por Priscila Schapke, sócia e headhunter na Evermonte Executive & Board Search.

Relendo o estudo Women at the Top, que lançamos pelo Evermonte Institute, uma pergunta me acompanhou por dias: por que tantas mulheres tão preparadas ainda ocupam uma parcela tão pequena dos assentos em conselhos?

Os dados são objetivos. Conselheiras possuem, em média, 87% mais certificações do que os homens analisados na mesma amostra. Ou seja, mais formação, mais preparo técnico, mais entregas – mas menos cadeiras.

Mérito é parte da equação. Mas não é tudo.

A ideia de que “quem se esforça, chega lá” ainda é comum em muitos ambientes corporativos. Mas quando olhamos para o acesso aos conselhos, percebemos outras camadas que, por sua vez, sobrepõem essa lógica.

O discurso é de mérito, mas a prática nem sempre acompanha. Reputação, por exemplo, ainda circula fortemente em ambientes marcados por familiaridade e confiança – espaços onde o reconhecimento costuma seguir trajetórias conhecidas.

Muitas mulheres constroem essas trajetórias por vias diferentes. Investem mais em formação, se certificam, entregam resultados consistentes. O preparo está presente. Mas o caminho até o board continua mais longo, mais exigente – e talvez menos previsível.

As exigências são diferentes. O reconhecimento, nem sempre.

Nos dados do estudo, as conselheiras tinham em média 4,88 certificações, enquanto os homens tinham 2,61. Isso por si só já revela um padrão: o nível de exigência técnica sobre mulheres ainda é mais alto, mas a velocidade de reconhecimento não acompanha esse esforço.

A maior parte das conselheiras entrevistadas chegou ao primeiro conselho após os 40 anos, depois de décadas de atuação. Esse processo envolve preparo técnico, visibilidade, posicionamento e – principalmente – acesso a oportunidades reais.

O estudo identificou cinco fatores que costumam pesar nas nomeações:

  • Passagem por cargos de liderança;
  • Envolvimento em projetos estratégicos;
  • Formação específica em governança;
  • Entregas reconhecidas;
  • Participação ativa em fóruns como IBGC e WCD.

Mas há um problema de fundo: falta um pipeline claro e estruturado para identificar, preparar e indicar novos nomes. Sem esse fluxo, a escolha segue concentrada em círculos onde todos já se conhecem – o que dificulta a renovação.

Estar pronto não garante acesso.

Se o critério fosse puramente técnico, o cenário seria outro. O que abre espaço de verdade são as conexões certas, com a legitimidade percebida por quem já está dentro do sistema – e esse grupo, majoritariamente, continua se parecendo muito entre si.

O maior desafio apontado, portanto, é conquistar o primeiro assento. Não por falta de competência, mas porque a entrada inicial ainda depende da chancela de quem já ocupa esses espaços. E aí, muitos perfis passam despercebidos.

O desafio da influência continua perdurando.

Mesmo quando chegam ao conselho, muitas mulheres relatam dificuldades para exercer influência real. Estar presente na sala de decisão não é o mesmo que moldar decisões. É aí que entra uma pergunta incômoda, mas necessária: o que está sendo reconhecido como mérito?

Se formação, consistência e resultados já estão presentes, mas os nomes continuam não aparecendo, talvez o problema não esteja na entrega – mas na forma como ela é percebida e valorizada.

Mais do que abrir espaço, precisamos reconhecer de fato quem já está pronto para ocupá-lo. E isso passa por repensar não só quem escolhe, mas como escolhemos.

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Referência em recrutamento executivo na Região Sul do Brasil, a Evermonte tem como propósito garantir a evolução da governança corporativa por meio do recrutamento de lideranças estratégicas. Com escritórios em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Joinville, o grupo conta com uma equipe de headhunters especialistas, com vasta experiência nas áreas para as quais recrutam. Seus processos seletivos são conduzidos a partir de uma metodologia própria, que inclui a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial, people analytics e avaliação cognitiva para garantir os melhores resultados aos seus parceiros.

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