Pesquisar

Gestão de cibersegurança e dados não são apenas para grandes empresas

Foto: Soumil Kumar/Pexels

Por Marcos Gomes e Daniel Cadorin, sócios-fundadores da Dédalo.

Quando o assunto é segurança da informação e privacidade de dados, muitas empresas ainda associam certificações internacionais a grandes corporações, altos custos e estruturas complexas. No entanto, as normas ISO/IEC 27001 e ISO/IEC 27701 foram concebidas justamente para organizar a gestão de segurança e privacidade de forma proporcional à realidade de cada negócio, inclusive pequenas e médias empresas.

A ISO/IEC 27001 é hoje a norma de gestão da segurança da informação que mais cresce no mundo, impulsionada tanto pela digitalização dos negócios quanto por legislações como a LGPD. Seu foco não está na compra de tecnologias sofisticadas, mas na identificação de riscos, definição de processos, escolha de controles adequados e melhoria contínua da segurança. Na prática, a norma ajuda a estruturar políticas e rotinas que muitas empresas já executam, porém de forma informal ou descentralizada.

Esse movimento responde a um cenário de risco cada vez mais evidente. No Reino Unido, 43% das empresas relataram ter sofrido algum tipo de violação ou ataque de segurança da informação nos últimos 12 meses, segundo o Cyber Security Breaches Survey 2025. No Brasil, levantamento da Grant Thornton Brasil e do Opice Blum Advogados mostra que 79% das empresas acreditam estar mais expostas a ataques cibernéticos do que em anos anteriores, e 66,5% já colocam a cibersegurança entre os cinco maiores riscos corporativos.

Mais recentemente, a ISO/IEC 27701 passou a ganhar protagonismo ao tratar especificamente da gestão da privacidade da informação e do uso de dados pessoais. A norma funciona como uma referência internacional para alinhar práticas internas à LGPD e a outras regulamentações globais, como a GDPR. Com sua atualização mais recente, a ISO 27701 passou a permitir certificação independente, ampliando o acesso de empresas que desejam estruturar a governança de dados pessoais mesmo sem possuir previamente a ISO 27001.

Um dos pilares centrais dessas normas é o entendimento de que segurança e privacidade não dependem apenas de tecnologia, mas de gestão e comportamento. Dados da BugHunt Pesquisa Nacional de Segurança da Informação mostram que mais de 60% das empresas brasileiras adotam campanhas de conscientização e treinamento como principal medida de cibersegurança, embora 44% ainda enfrentem dificuldades de adesão das equipes. As ISOs atuam justamente para transformar essas ações em processos contínuos, integrados à estratégia do negócio.

Além da redução de riscos, a adoção das normas traz ganhos práticos. Empresas certificadas tendem a responder melhor a auditorias, reduzir custos com incidentes e transmitir mais confiança ao mercado, funcionando como um diferencial competitivo em contratos, parcerias e processos de contratação. Em um cenário em que o custo médio global de uma violação de dados já é estimado em US$ 4,88 milhões, segundo levantamentos internacionais, o investimento em gestão estruturada passa a ser uma decisão estratégica.

Diante da digitalização acelerada e do aumento das exigências regulatórias, ISO 27001 e ISO 27701 deixam de ser burocracia ou privilégio de grandes empresas. Elas se consolidam como ferramentas acessíveis e práticas para organizações que buscam crescer com mais controle, credibilidade e maturidade na gestão da informação.

Compartilhe

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e ESG em Santa Catarina.

Leia também