O interior de Santa Catarina acaba de inaugurar a primeira usina de biometano a partir de dejetos suínos da América Latina. A cidade de Campos Novos, com uma população estimada em 33 mil habitantes, recebeu a planta piloto, fruto de um investimento de R$ 65 milhões.
Em parceria com a Copercampos, a H2A Bioenergia, com sede em Florianópolis e 13 anos de atuação, é pioneira na comercialização desse nicho no mercado.
Os planos envolvem um montante de R$ 2,9 bilhões em5 anos com 22 novas plantas planejadas, essencialmente, em SC, RS e SP. Mas há projetos em outros estados também no médio prazo.
A segunda é em Rio Verde (GO), também em parceria com produtor de suínos, com previsão de operação até o fim do ano. O terceiro projeto está sendo preparado em Ponta Grossa (PR), com início previsto para 2026.
Certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), só no território catarinense, são 5 plantas previstas até o fim de 2027, já em fase de licenciamento da ANP, sendo mais 1 em Campos Novos, 2 na cidade de Papanduva e 2 em Videira.
Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia, explica o projeto e o impacto socioeconômico:
“Hoje a comercialização é feita em Lages, município que fica a cerca de 100km de onde temos nossa primeira planta, no entanto, em parceria com a SCGás, a previsão é que a rede chegue em Campos Novos em até 2 anos. Além disso, vamos implementar postos de combustíveis, por exemplo, gerando novos negócios e desenvolvimento regional”, complementa.
Com tecnologia importada do mercado europeu, e que demora até 30 semanas para chegar em solo brasileiro, a geração de energia pode ser expandida para outros dejetos, considerando a produção da economia local onde as plantas serão instaladas.
Na prática, o modelo de negócio funciona em parceria com os produtores, que têm a obrigação de fornecer os dejetos e espaço para implantação do equipamento, e recebem parte do que é arrecadado com a comercialização. Por outro lado, a empresa fornece o equipamento e cuida do negócio em si.
“Estamos em um oceano azul. Inclusive, estruturando a empresa para plantas em países como Paraguai, Colômbia e Equador“, finaliza.
De acordo com a ABREN (Associação Brasileira de Energia de Resíduos) o país aproveita apenas 1,5% do potencial de biometano e 5,6% do potencial de biogás. No Brasil, de acordo com a entidade, o potencial estimado seria de 130 usinas de 20 MW, totalizando 3,3 GW e aproximadamente R$ 180 bilhões em investimentos.