Pesquisar

O perigo do conteúdo genérico: como a IA está apagando a identidade das marcas

Foto: divulgação

Por Sabrina Isabela da Rosa, empresária, estrategista de branding para médicos e instituições de saúde, CEO e fundadora da agência Fever Marketing Médico.

Nunca foi tão fácil criar conteúdo para o seu negócio. Mas nunca foi tão difícil criar algo que realmente pareça seu. Eu noto isso todo dia trabalhando com donos de marca. Briefings, feeds, textos chegando até mim com o mesmo tom, a mesma estrutura, a mesma ausência de opinião – e de essência, talvez. Empreendedores com negócios completamente diferentes, com histórias únicas, soando como se tivessem saído do mesmo lugar. Um grande desperdício, já que histórias diferentes possuem valores únicos, olhares singulares – e que sim têm potencial para gerar mais autoridade, mais notoriedade para aquele profissional ou marca em seu segmento de atuação. 

Não é a primeira vez que isso acontece. Durante anos, o grande problema do pequeno empreendedor era delegar o marketing para uma agência e perder o fio da própria identidade no caminho. A marca ficava bonita, organizada, mas vazia. Sem a cara de quem a construiu. Muita gente me falava exatamente isso.

Hoje o problema mudou de forma, mas a raiz é a mesma. O empreendedor trouxe o marketing de volta para as próprias mãos, descobriu a IA e achou que tinha encontrado a solução definitiva. Prompt, gera, publica. Rápido, barato, sem depender de ninguém. O que ninguém percebeu é que, sem direção, a IA faz exatamente o que a agência desconectada fazia antes: produz conteúdo que não representa ninguém, que não tem ponto de vista, que poderia ser de qualquer marca do mesmo segmento. E aí você some no meio da multidão junto com todo mundo que faz o mesmo.

A verdade é que hoje compramos por associação. Como dono de marca, você precisa ter um ponto de vista claro, aquela opinião que pode até parecer controversa, mas que posiciona e tira o seu negócio da massa. Não estou falando de mostrar sua vida pessoal. Estou falando de ser reconhecível. Quando alguém lê o que você publica e pensa “isso é exatamente essa marca”, você virou referência no seu mercado. Se não pensa nada, você é mais um concorrente disputando preço.

E pra chegar lá, o caminho começa antes de abrir qualquer ferramenta: qual é o objetivo desse conteúdo? Onde você quer chegar com ele? Que dúvida, desejo ou incômodo você quer despertar no seu cliente em potencial? Sem essa clareza, nenhum prompt resolve. Se você for usar IA para criar conteúdo para a sua marca, seu prompt precisa ser um briefing de verdade, com os valores do seu negócio, sua personalidade, a dor real de quem você quer atrair e o que você quer que essa pessoa sinta depois de ler.

Ideias soltas a IA cria. Método vem da sua trajetória como empreendedor, da sua visão de mercado, do que você aprendeu construindo o seu negócio. Isso não se copia, não se replica e nenhuma ferramenta entrega por você.

Conteúdo genérico atrai cliente genérico. E cliente genérico não tem lealdade à sua marca, vai embora na primeira promoção do concorrente. Quem vai crescer no digital não é o pequeno negócio que usa mais ferramentas. É o dono de marca que tem algo próprio a dizer e sabe exatamente pra quem está dizendo.

Compartilhe

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e ESG em Santa Catarina.

Leia também