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Cidades cooperativas: onde o coletivo vira força

Foto: divulgação

Por que algumas cidades se recuperam mais rápido das crises do que outras? 

Nem sempre é o tamanho da economia ou a presença de grandes empresas que faz a diferença. Muitas vezes, o que sustenta uma cidade em tempos difíceis é a capacidade de agir coletivamente. 

Cidades cooperativas não são apenas aquelas com muitas cooperativas, embora este seja um indicador real de força econômica. São aquelas onde o pensamento coletivo faz parte do cotidiano. Onde produtores se organizam em redes, empreendedores compartilham soluções, entidades locais atuam de forma integrada e a comunidade entende que competir e cooperar não são opostos.

No Oeste de Santa Catarina, por exemplo, pequenos produtores rurais que se organizaram coletivamente conseguiram ganhar escala, acessar tecnologia e chegar a mercados globais que, sozinhos, seriam inalcançáveis. Esse movimento não fortaleceu apenas os negócios individuais. Estruturou cadeias econômicas hiperlocais. 

Mas a lógica não se limita às cidades. Regiões inteiras também podem pensar e agir assim. Quando diferentes municípios se articulam, compartilham objetivos e constroem agendas comuns, o alcance das decisões se amplia e a força local ganha escala.

Vivemos, inclusive, um exemplo claro disso neste momento. Estamos na véspera de uma eleição, e há cidades e regiões se organizando para eleger representantes comprometidos com suas pautas. Quando esse movimento acontece de forma coordenada, a representação política deixa de ser dispersa e passa a refletir interesses coletivos na prática.

O que diferencia cidades cooperativas é menos a existência de uma instituição específica e mais a presença de uma cultura: a de resolver problemas em conjunto.

Talvez esteja aí um dos aprendizados mais importantes para quem pensa o futuro das cidades. Atrair investimentos é importante, mas fortalecer a capacidade de organização coletiva pode ser ainda mais estratégico.

Cidades e regiões que aprendem a cooperar constroem algo que não aparece imediatamente nos indicadores, mas é decisivo quando o cenário muda: confiança, articulação e capacidade de agir como comunidade. A cooperação é a capacidade humana que faz tudo isso acontecer. 

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CEO de cooperativa de crédito, autor de livros sobre cooperativismo e Influenciador Coop do Sistema OCB.

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