Por Anagê Alves da Silva, fundador e CEO da Anagê Imóveis.
Existe uma narrativa recorrente que volta sempre que o cenário econômico aperta: “o mercado imobiliário vai desacelerar”. Mas quem vive esse mercado todos os dias sabe que essa frase, na prática, nunca se sustenta por muito tempo. Ainda bem.
O mercado imobiliário não para. Ele se adapta.
Já atravessamos momentos de crédito restrito, juros elevados, instabilidade política e incertezas econômicas. E, ainda assim, as pessoas continuaram comprando, vendendo e alugando imóveis. Por um motivo simples: morar não é uma escolha adiável por tempo indefinido.
O que muda não é a necessidade. É o comportamento.
Em ciclos mais desafiadores, o comprador fica mais criterioso, o investidor mais estratégico e o corretor precisa ser mais preparado. A decisão deixa de ser impulsiva e passa a ser construída com mais análise, mais comparação e mais segurança.
É nesse momento que o mercado se profissionaliza.
Empresas que dependem apenas de volume sentem mais. Já aquelas que investem em processo, tecnologia, atendimento e credibilidade crescem. E, muitas vezes, crescem mais do que em cenários favoráveis.
A digitalização acelerou esse movimento. Hoje, a jornada do cliente começa muito antes do contato com o corretor. Informação não falta. O que diferencia é a capacidade de orientar, interpretar e gerar confiança.
E confiança não se constrói em momentos fáceis. Se consolida justamente quando o cliente mais precisa de segurança para decidir.
Ao longo de quase quatro décadas à frente de uma das maiores imobiliárias de Santa Catarina, aprendi que os ciclos do mercado não devem ser temidos. Devem ser compreendidos. Porque, no fim, quem entende o comportamento das pessoas, e não apenas os números, sempre encontra oportunidade.
O mercado não para. Ele apenas seleciona quem está preparado para evoluir com ele.