A ZeroWasteX é uma startup catarinense que atua na interseção entre tecnologia, políticas públicas e sustentabilidade, com foco em um dos principais desafios da administração pública no Brasil: a gestão de resíduos sólidos urbanos.
A empresa surgiu a partir de pesquisas aplicadas sobre a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e desenvolveu soluções para apoiar municípios no planejamento, na gestão e no monitoramento dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGMIRS), requisito legal para acesso a recursos federais. A startup foi incubada no SebraeHub entre 2023 e 2024, programa da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) em parceria com o Sebrae/SC.
Nesta entrevista, Luiz Gustavo Francischinelli Rittl, CEO e responsável por PD&I da ZeroWasteX, fala sobre a origem da empresa, o impacto da incubação e as perspectivas para a inovação na gestão pública em Santa Catarina.
Como surgiu a startup e qual problema ela resolve?
A startup surgiu com base em pesquisas aplicadas sobre mecanismos de implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essencialmente uma deeptech e govtech de impacto, a startup resolve o problema da dificuldade dos municípios brasileiros em dispor de mecanismos de planejamento, gestão e monitoramento para a implantação dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGMIRS), instrumento legal de planejamento, implantação e definição de objetivos de cada município, vinculante ao recebimento de verbas federais para a implantação da PNRS e da estratégia nacional de economia cicular. A solução também abrange sistemas de logística reversa, cadastramento de cooperativas parceiras, coleta seletiva, engajamento cidadão, educação ambiental, entre outros mecanismos previstos na PNRS.
Qual foi o impacto da incubação na evolução do negócio?
A incubação tem sido fundamental em dois aspectos: tanto do ponto de vista pessoal, ao nos preparar como empreendedores, com mecanismos e ferramentas de psicologia e gestão de equipes, quanto da estruturação do próprio negócio, por meio de diversos subprogramas, como planejamento estratégico, acompanhamento mensal, apoio da rede de incubados, mentorias diversas com empresários do setor e o fortalecimento de relacionamentos com partes interessadas, órgãos de governo, acesso à possibilidades de investimentos e contato com possíveis clientes.
Em que momento a empresa está hoje e quais são os próximos passos?
A empresa está entrando na fase operacional, realizando as primeiras vendas e estabelecendo parcerias-chave com fornecedores, parceiros tecnológicos, centros de pesquisa, incubadoras, órgãos públicos e setores estratégicos para a inovação na administração pública.
Como você enxerga o futuro da tecnologia e da inovação em Santa Catarina?
Santa Catarina já é uma referência nacional e internacional em inovação em diversos segmentos, tendo recebido diversos prêmios nacionais e internacionais. No que se refere à inovação na administração pública, vejo que o Estado e diversos municípios já atuam de forma pioneira, com o lançamento de CPSs, redes de inovação como o InovaGov SC e outras iniciativas. Vejo o futuro como muito promissor, com ganhos múltiplos e em escala, não só para o setor público, mas também para a própria população catarinense. Nesse sentido, faço votos de que o ecossistema de inovação avance na interação com o Estado, com o objetivo de fomentar, desenvolver e, sobretudo, aplicar ciência, tecnologia e inovação para tornar a economia catarinense cada vez mais competitiva e sustentável, e o Estado cada vez mais eficiente, eficaz e efetivo em suas políticas públicas, beneficiando diversos setores econômicos e a população catarinense de forma geral.