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Sobre estar disponível

A gente fala muito sobre estar ocupado.

Como se isso fosse sinônimo de importância.

Agenda cheia. Mensagens acumuladas. Decisões em sequência.

Como se o movimento constante fosse a prova de que estamos no caminho certo.

Mas, nos últimos tempos, eu tenho pensado em outra coisa.

Disponibilidade.

Não como falta de tarefa. Mas como espaço real para viver o que ainda não foi planejado.

Porque estar ocupado é fácil. Difícil é estar aberto.

Aberto para mudar de ideia. Para aceitar um convite inesperado. Para começar algo sem garantia. Para perceber que o que fazia sentido até ontem já não sustenta mais.

Eu mesma passei muito tempo ocupada.

Resolvendo.

Entregando.

Acelerando.

E isso constrói muita coisa. Mas também ocupa tudo.

Ocupa o tempo. Ocupa o pensamento. Ocupa até o desejo.

Por isso, esse começo de ciclo tem sido diferente.

Não é sobre fazer mais. É sobre organizar o que já existe.

Dar um passo atrás para ajustar o que ficou espalhado. Fechar o que precisa ser fechado. Entender o que ainda faz sentido carregar.

Me dei até o final de abril para isso. Não como uma meta produtiva. Mas como um gesto de cuidado.

Porque, a partir de maio, eu quero estar disponível. Disponível de verdade.

Para novas experiências. Para conversas que não estavam no roteiro. Para oportunidades que não cabem em planejamento. Para mudanças que não avisam antes de chegar.

Talvez crescer não seja só acumular mais. Talvez seja abrir espaço.

E confiar que a vida também acontece nas brechas.

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Head of Revenue na SalesHunter, professora e mentora de startups.

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