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Agência de SC lança IA para dar “segunda opinião” sobre campanhas premiadas

Flavio Vidigal e Christiano Abrahao. Foto: Ethan Stewart.

A Rise New York & Partners, agência independente fundada por catarinenses em Nova York, lançou o The Other Jury, plataforma experimental que utiliza inteligência artificial (IA) para oferecer uma segunda avaliação de trabalhos reconhecidos nas principais premiações da indústria criativa.

A ferramenta estreia revisitando o shortlist do Titanium Lions 2026, uma das categorias de maior prestígio do Cannes Lions. A partir dos trabalhos selecionados, a plataforma simula um júri e apresenta vereditos alternativos aos resultados oficiais.

A proposta, segundo a agência, não é substituir os jurados ou colocar em dúvida a importância da avaliação humana, mas provocar uma discussão sobre os diferentes fatores que podem influenciar o julgamento de uma ideia, como reputação, contexto, subjetividade e as próprias dinâmicas existentes dentro de uma sala de júri.

“O The Other Jury não está aqui para substituir o julgamento humano. O julgamento humano é o que torna um júri de premiação humano: gosto, instinto, coragem, contradição, política e tudo mais. Mas, às vezes, uma ideia merece ser avaliada também fora da sala de julgamento. É isso que o The Other Jury proporciona”, afirma Flávio Vidigal, sócio e Chief Creative Officer da Rise New York & Partners.

IA avalia criatividade sem considerar nome da agência

Um dos principais pontos da proposta está na avaliação cega dos trabalhos. A plataforma foi treinada a partir de duas décadas de estudos de caso premiados, discussões de júris e informações relacionadas a premiações da indústria criativa.

A análise considera aspectos como originalidade, clareza estratégica, relevância cultural, inovação em mídia, resultados para a marca, evidências apresentadas e potencial para criação de novos modelos de atuação.

A diferença está nas informações que ficam de fora da avaliação. O sistema não considera o nome da agência, a rede à qual pertence, a reputação dos profissionais envolvidos ou as relações existentes entre os participantes da indústria.

Com isso, a empresa busca testar como um mesmo trabalho pode ser interpretado quando parte dos elementos externos à própria ideia é retirada da análise.

Agentes de IA simulam sala de júri

O lançamento também é acompanhado pelo filme Inside The Room Pt. 2, sequência de um projeto anterior da agência que investigava se a inteligência artificial seria capaz de compreender algumas das dinâmicas presentes no julgamento criativo.

Na nova experiência, agentes desenvolvidos com IA simulam uma sala de júri. Eles analisam os trabalhos, apresentam argumentos, debatem entre si e chegam aos próprios vereditos.

Para o público, a plataforma permite localizar os trabalhos avaliados e comparar o resultado oficial da premiação com a avaliação realizada pelo The Other Jury.

Os usuários também podem gerar cards para compartilhamento no LinkedIn e Instagram. As peças apresentam informações como campanha, agência, cliente, resultado oficial, resultado atribuído pela plataforma e uma observação gerada a partir das deliberações simuladas.

“A questão nunca foi provar que a IA julga melhor do que pessoas. A questão é que a criatividade sempre mereceu mais de uma leitura. O The Other Jury oferece exatamente aquilo que toda a indústria costuma pedir depois da divulgação dos vencedores: uma segunda opinião”, afirma Christiano Abrahão, Global Executive Creative Director da Rise New York & Partners.

Plataforma deve ganhar novas categorias

O Titanium Lions será o primeiro teste público da iniciativa, mas a expectativa é ampliar o projeto para outras categorias de premiações criativas.

A Rise também prevê, futuramente, permitir a submissão espontânea de trabalhos para avaliação pela plataforma, ampliando o The Other Jury para além das campanhas já reconhecidas em grandes festivais.

A iniciativa coloca a inteligência artificial em uma discussão que vai além da geração de campanhas e conteúdos: até que ponto a tecnologia pode contribuir também para analisar e interpretar a criatividade?

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