Por Josiani Silveira, CEO da SoftExpert.
Em um momento em que a tecnologia transforma profundamente a forma como empresas e governos operam, preservar a solidez dos negócios é fundamental para alcançar a máxima eficiência e maturidade no mercado.
Ao longo das últimas três décadas, o Brasil se tornou terreno fértil para o desenvolvimento de empresas de tecnologia capazes de criar soluções de alto valor agregado e competir em mercados cada vez mais regulados e exigentes, inclusive internacionalmente.
É importante compreender que a internacionalização de um negócio não deve significar apenas a expansão para outros países, mas também a capacidade de construir e escalar ideias capazes de competir globalmente, compreender diferentes mercados e entregar valor de forma consistente em cada região.
Essa discussão ganha ainda mais relevância quando olhamos para a dimensão do setor de tecnologia, que movimenta trilhões de dólares por ano. Segundo a consultoria Gartner, o segmento deve atingir US$ 6,3 trilhões em todo o mundo em 2026, um aumento de 13,5% em relação a 2025. Nesse cenário, o crescimento não pode acontecer à custa da eficiência operacional. Pelo contrário: quanto maior a escala, maior precisa ser a capacidade de padronizar processos, compartilhar conhecimento, utilizar dados e replicar boas práticas.
É fundamental garantir autonomia às operações regionais e, ao mesmo tempo, manter uma visão e seguir padrões globais. O segredo é encontrar o equilíbrio exato entre escala e proximidade, compreendendo profundamente as particularidades de cada mercado.
SaaS acelera a inovação sem perder escala
Essa retaguarda estável ganha um novo ritmo com a transição dos modelos de negócio para soluções orientadas a cloud, SaaS e inteligência artificial.
A adoção desses modelos é estratégica porque o SaaS muda a velocidade com que as companhias conseguem entregar inovação. Em um modelo tradicional, a atualização de uma plataforma de gestão pode envolver projetos complexos, ciclos longos e impactos relevantes para a rotina do cliente. No modelo SaaS, torna-se possível evoluir as soluções continuamente, incorporando novas funcionalidades, melhorias de segurança e recursos de inteligência artificial com muito mais agilidade.
Isso cria um ciclo virtuoso: quanto mais rápida é a evolução da plataforma, maior é a capacidade de gerar valor e mais rapidamente se incorporam os aprendizados de diferentes mercados à base tecnológica global.
A próxima fronteira: inteligência artificial
Essa evolução tem na inteligência artificial sua próxima grande fronteira. A tecnologia não deve ser abordada apenas como um recurso adicional nos sistemas, mas como um vetor de transformação estratégica. A proposta atual de inovação é aplicar a IA para remodelar a forma como as organizações executam processos, tomam decisões e gerenciam o conhecimento corporativo.
Ao automatizar atividades repetitivas, apoiar usuários na execução de tarefas e acelerar análises complexas, a inteligência artificial utiliza o conhecimento acumulado pelas próprias organizações para tornar as operações mais inteligentes, remodelando a governança e o gerenciamento da informação.
Para empresas de setores regulados, essa evolução possui uma dimensão adicional. A inteligência artificial precisa estar intimamente associada à governança, à segurança, à rastreabilidade e à conformidade. Não basta automatizar; é necessário automatizar com controle. Afinal, em mercados altamente competitivos, a inovação de fronteira só é sustentável quando amparada por uma retaguarda sólida e estável.