O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização das empresas está acelerando a demanda por infraestrutura capaz de suportar volumes cada vez maiores de processamento e armazenamento de dados.
De olho nesse ciclo, a Novalogic, empresa de Joinville especializada em infraestrutura crítica e data centers, inicia uma nova fase de expansão com a meta de alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2030.
No ano em que completa duas décadas de atuação, a companhia prepara uma estratégia que envolve expansão geográfica, desenvolvimento de ativos próprios, contratos de longo prazo e participação em Parcerias Público-Privadas (PPPs) no Brasil e na América Latina.
O plano inclui novas estruturas nas regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. No Nordeste, a empresa já adquiriu uma área de 50 mil metros quadrados para uma unidade de grande porte. Em São Paulo, prevê ampliar a presença com uma estrutura em Alphaville.
Data centers respondem por metade da receita
Atualmente, cerca de 50% da receita da Novalogic vem de obras para data centers. Outros 30% estão relacionados a projetos de infraestrutura crítica e 20% a empreendimentos verticais de alto padrão.
A expectativa é ampliar essa atuação acompanhando a expansão da infraestrutura digital no país, ao mesmo tempo em que a empresa diversifica suas fontes de receita.
O mercado de data centers ocupa uma posição central nessa estratégia. A demanda crescente por inteligência artificial e serviços de nuvem aumenta a necessidade de estruturas com alta capacidade de processamento, disponibilidade e segurança.
Ao mesmo tempo, a expansão do setor enfrenta gargalos relacionados principalmente à disponibilidade de grandes volumes de energia, velocidade de ampliação da infraestrutura elétrica e competitividade tributária brasileira diante de outros mercados.
É nesse cenário que a Novalogic pretende aumentar a participação em projetos de infraestrutura especializada.
“Crescer nesta velocidade também traz novos desafios. A expansão geográfica, a ampliação da capacidade operacional e o desenvolvimento de ativos próprios de longo prazo aumentam naturalmente a demanda por capital”, afirma Felippe Prates, CEO da Novalogic.
Empresa avança em modelo de receita recorrente
Além da execução de obras, a estratégia prevê aumentar a participação da companhia no desenvolvimento dos próprios ativos.
O modelo envolve a aquisição de terrenos, desenvolvimento de empreendimentos sob medida e disponibilização das estruturas para grandes grupos por meio de contratos que podem variar de cinco a 25 anos.
A estratégia busca combinar receitas provenientes da execução de projetos com contratos de longo prazo e maior previsibilidade financeira.
A Novalogic também assinou um contrato com uma empresa global do setor de tecnologia, cujo nome não foi divulgado. A parceria faz parte dessa estratégia de ampliar o relacionamento com grandes grupos internacionais e a geração de receitas recorrentes.
“Nosso objetivo é ampliar a capacidade da Novalogic de participar de toda a cadeia de valor. Não apenas executar uma obra, mas identificar oportunidades, desenvolver áreas estratégicas, estruturar ativos e construir soluções capazes de atender projetos de grande porte e de longo prazo no Brasil e no exterior”, explica Felippe Prates.
Expansão passa por descentralização
Outra mudança será a descentralização da estrutura operacional. A companhia pretende estabelecer presença física mais próxima dos grandes projetos, inclusive em regiões afastadas dos principais centros empresariais do país.
O movimento inclui a nova área de 50 mil metros quadrados no Nordeste, a estrutura de Alphaville e a busca por novas áreas no Sudeste, Centro-Oeste e Norte.
A empresa também pretende priorizar a contratação de profissionais das próprias regiões onde os projetos forem desenvolvidos.
“Queremos estar mais próximos das obras, dos clientes e das oportunidades. O Brasil é um país continental e muitos dos grandes projetos estão fora dos centros tradicionais. Para crescer, precisamos ter capacidade de operar onde a demanda está”, afirma Felippe Prates.
PPPs entram na estratégia para chegar a R$ 1 bilhão
As Parcerias Público-Privadas formam outro eixo do plano para alcançar a meta de faturamento em 2030. A Novalogic avalia oportunidades de infraestrutura no Brasil e em outros países da América Latina, buscando projetos de maior escala e contratos de longo prazo.
A entrada nessa modalidade também amplia a transformação do modelo de negócio. A companhia busca deixar de atuar predominantemente como executora de obras para assumir diferentes etapas da cadeia, incluindo desenvolvimento, estruturação e operação de ativos.
Fundada em 2006 e sediada em Joinville, a Novalogic chega aos 20 anos diante de uma mudança importante em sua estratégia. Se nas primeiras duas décadas o crescimento esteve ligado principalmente à capacidade de executar projetos especializados, o próximo ciclo estará associado à combinação entre engenharia, infraestrutura digital, ativos próprios e receitas de longo prazo.