Depois de três meses consecutivos de estagnação, o mercado de trabalho de Santa Catarina voltou a registrar saldo positivo em agosto. Foram criados 4.452 empregos formais no mês, crescimento de 0,17% em relação a julho.
A reação, no entanto, ainda não representa uma mudança na trajetória do mercado de trabalho. Análise da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) com base nos dados do Novo Caged aponta que o resultado foi influenciado por movimentos específicos de alguns segmentos, enquanto juros elevados e o comprometimento da renda das famílias continuam pressionando a economia.
“A geração de vagas é benéfica diante de um ambiente marcado pelos juros elevados e um alto nível de endividamento e comprometimento da renda das famílias. No entanto, a reação observada em agosto reflete movimentos pontuais e estratégias específicas de determinados segmentos”, afirma Gilberto Seleme, presidente da FIESC.
Indústria cria 1,5 mil vagas no mês
A indústria catarinense encerrou agosto com saldo positivo de 1.587 empregos, alta de 0,16% na comparação mensal.
O desempenho foi puxado principalmente pelo complexo eletro-metal-mecânico e pela indústria de alimentos. Entre os segmentos com maior geração de postos estão:
- veículos e carrocerias: 704 vagas
- materiais elétricos: 428 vagas
- alimentos: 379 vagas
Na direção oposta, setores tradicionais da indústria catarinense registraram fechamento de postos. O vestuário perdeu 302 vagas, a indústria de madeira encerrou 207 postos e o setor têxtil apresentou saldo negativo de 82 empregos
Segundo a análise da FIESC, vestuário e têxtil vêm sendo pressionados por questões relacionadas à competitividade e às tarifas de importação, enquanto a indústria de madeira sente os efeitos do aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
“O avanço das vagas concentrou-se em capacidades e estratégias de mercado de empresas específicas do setor eletro-metal-mecânico, além do apoio das exportações na indústria de alimentos”, explica Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC.
SC acumula quase 67 mil novas vagas em 2026
Apesar da desaceleração observada nos últimos meses, o estado mantém saldo positivo no acumulado do ano.
Entre janeiro e agosto, foram criados 66.906 empregos formais, resultado 2,6% superior ao registrado nos 8 primeiros meses do ano.
A indústria responde por mais da metade desse saldo. O setor acumula 37.827 novos postos de trabalho em 2026, crescimento de 4,06% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Fora da indústria, os resultados mostram uma recuperação desigual entre os setores. Os serviços apresentaram saldo positivo de 3.970 vagas, enquanto o comércio fechou 466 postos e a agropecuária perdeu outros 639 empregos.
Os números de agosto indicam, portanto, uma retomada da geração de vagas em Santa Catarina, mas ainda concentrada em determinados segmentos.