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32% dos pais já flagraram filhos fazendo compras digitais sem autorização, aponta pesquisa

Kampus Production/Pexels

A presença cada vez maior de crianças e adolescentes em aplicativos, jogos e redes sociais está adicionando um novo desafio à educação financeira dentro das famílias.

Pesquisa da Serasa, realizada pelo Instituto Opinion Box, mostra que 32% dos pais já flagraram os filhos realizando compras em aplicativos, jogos ou plataformas digitais sem conhecimento ou autorização prévia.

Entre os casos identificados, 60% envolveram gastos de até R$ 100. O levantamento ouviu 1.066 pais com filhos de até 18 anos em todo o Brasil.

Os dados mostram ainda a influência das redes sociais sobre o comportamento de consumo: 53% dos pais acreditam que essas plataformas aumentam o desejo de compra das crianças e adolescentes. Entre os filhos dos entrevistados, 60% já utilizam redes sociais e 31% possuem conta própria.

Diante da exposição ao ambiente digital, 86% dos pais afirmam conversar com os filhos sobre temas como segurança online, compartilhamento de dados e fotos, golpes e notícias falsas.

“É importante ajudar crianças e adolescentes a reconhecerem conteúdos publicitários e refletir sobre os desejos despertados nas redes sociais. Compras em aplicativos e jogos também devem acontecer somente com o conhecimento e a autorização dos responsáveis”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.

Educação financeira começa antes dos 6 anos em parte das famílias

Às vésperas do Dia das Crianças, o levantamento também mostra o peso dos pais na construção da relação dos filhos com o dinheiro.

Para 86% dos entrevistados, a própria situação financeira terá impacto sobre o futuro dos filhos. Além disso, 72% se consideram a principal fonte de orientação financeira das crianças e adolescentes. Em 33% das famílias, esse aprendizado começa antes dos seis anos.

“Os primeiros aprendizados das crianças com o dinheiro acontecem, na maioria das vezes, dentro de casa. Quando os pais tomam a iniciativa de conversar sobre dinheiro, também estão ensinando sobre escolhas e responsabilidades”, explica Aline Vieira.

Entre os principais desafios apontados pelos responsáveis estão organizar a própria vida financeira, mencionado por 14%; preparar os filhos financeiramente para a vida adulta, com 12%; e equilibrar os gastos atuais com o planejamento de longo prazo, também com 12%.

Investimentos são o assunto mais difícil de explicar

Apesar de a educação financeira já fazer parte da rotina de muitas famílias, alguns temas ainda apresentam maior dificuldade.

Os investimentos aparecem no topo da lista: 28% dos pais consideram esse o assunto financeiro mais difícil de explicar aos filhos. Dívidas, juros e golpes e fraudes financeiras aparecem na sequência, mencionados por 21% dos entrevistados, respectivamente.

Uma das formas utilizadas pelas famílias para aproximar os filhos do tema é incluí-los em situações práticas. Segundo a pesquisa, 75% dos pais afirmam que as crianças e adolescentes participam esporadicamente das decisões de compra da família.

Entre as despesas mais conhecidas pelos filhos estão:

  • supermercado e alimentação, com 54%
  • contas básicas, como água, energia, telefone e condomínio, com 41%
  • escola, com 39%

“Além de ensinar sobre dinheiro, essa é uma oportunidade para desenvolver autonomia e responsabilidade financeira desde cedo”, destaca Aline Vieira.

Os dados reforçam que a educação financeira infantil passa a incorporar uma dimensão cada vez mais digital. Além de ensinar conceitos como economia, planejamento e consumo consciente, as famílias precisam lidar com compras dentro de aplicativos, publicidade nas redes sociais e outros estímulos de consumo que fazem parte da rotina de crianças e adolescentes.

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