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Número de empresas em recuperação judicial cresce 48% em maio

Foto: kaboompics.com

O número de empresas envolvidas em processos de recuperação judicial voltou a avançar em maio, em um cenário ainda marcado por custo elevado de capital, dificuldade para renegociar dívidas e perda de dinamismo da atividade econômica.

Segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian, foram registrados 65 processos de recuperação judicial no mês, envolvendo 237 CNPJs.

Na comparação mensal, portanto, o número de empresas envolvidas aumentou 48,1%, enquanto a quantidade de processos apresentou variação mais moderada, de 1,6%.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o comportamento precisa ser analisado diante das condições financeiras enfrentadas pelas companhias:

“Os pedidos de recuperação judicial continuam refletindo as dificuldades acumuladas pelas empresas ao longo de um período prolongado de condições financeiras restritivas. O custo de capital permanece elevado e a rolagem das dívidas segue difícil, ao mesmo tempo em que a atividade econômica começa a perder dinamismo”, afirma.

Segundo a economista, a combinação aumenta a pressão principalmente sobre negócios que já apresentam fragilidade financeira, ao dificultar tanto a recomposição de caixa quanto a reorganização das dívidas.

Serviços concentram maior número de empresas

O setor de serviços liderou o número de empresas envolvidas em recuperações judiciais em maio, com 103 CNPJs, equivalente a cerca de 43% do total registrado no mês.

Na sequência aparecem:

  • Agropecuária: 53 empresas
  • Comércio: 42 empresas
  • Indústria: 39 empresas

De acordo com Camila Abdelmalack, além dos efeitos dos juros e da desaceleração econômica, cada atividade enfrenta pressões específicas.

No comércio, o consumo mais moderado interfere na geração de caixa. Na indústria, pesam o custo financeiro e a menor demanda, enquanto a agropecuária também está exposta a fatores como preços das commodities e rentabilidade da produção.

“Já serviços concentra naturalmente um número maior de empresas e, por consequência, uma parcela importante dos pedidos de recuperação judicial”, explica.

Recuperações extrajudiciais somam quatro processos

A Serasa Experian também registrou quatro processos de recuperação extrajudicial em maio, envolvendo seis CNPJs.

Para Camila Abdelmalack, a recuperação extrajudicial pode funcionar como uma alternativa para companhias que buscam negociar seus passivos diretamente com credores.

“Em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo, cresce o incentivo para acordos com credores que permitam preservar liquidez e evitar processos judiciais mais complexos”, afirma.

Pedidos de falência recuam em maio

Na direção contrária das recuperações judiciais, os pedidos de falência apresentaram queda na comparação mensal.

Foram registrados 39 processos de falência em maio de 2026, envolvendo 38 empresas. Em abril, o levantamento havia contabilizado 57 processos e 59 CNPJs.

Isso representa uma redução de aproximadamente 31,6% no número de processos e de 35,6% na quantidade de empresas envolvidas entre abril e maio.

O comércio concentrou o maior número de empresas envolvidas em pedidos de falência, com 17 CNPJs, seguido pela indústria, com 13, e pelos serviços, com oito. A agropecuária não registrou empresas envolvidas no período.

Os dados mostram movimentos distintos na saúde financeira das empresas em maio: enquanto os pedidos de falência diminuíram, aumentou principalmente a quantidade de CNPJs envolvidos em recuperações judiciais, mantendo a reestruturação de dívidas no radar do ambiente empresarial brasileiro.

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