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Como a queda da natalidade pode transformar a economia brasileira?

freestocks.org /Pexels

O Brasil está passando por uma transformação demográfica que pode mudar o mercado de trabalho, o consumo e as estratégias das empresas nas próximas décadas: as famílias estão tendo menos filhos e a população está envelhecendo.

Segundo as projeções mais recentes do IBGE, a taxa de fecundidade brasileira caiu para cerca de 1,57 filho por mulher em 2023, abaixo do nível necessário para reposição da população.

A tendência ajuda a explicar por que o país deverá atingir seu pico populacional nas próximas décadas e depois começar a encolher. Mais do que uma mudança demográfica, esse movimento terá consequências econômicas.

Brasil terá menos nascimentos

A transformação já pode ser observada nos números. Segundo o IBGE, o Brasil registrava aproximadamente 3,6 milhões de nascimentos por ano em 2000. Em 2022, eram cerca de 2,6 milhões.

A projeção indica que esse número poderá cair para aproximadamente 1,5 milhão em 2070. Ao mesmo tempo, as mulheres estão tendo filhos mais tarde e a expectativa de vida da população continua aumentando. O resultado será uma mudança importante na pirâmide etária brasileira.

População brasileira deve começar a diminuir

O Brasil ainda continuará crescendo por alguns anos. As projeções do IBGE indicam que a população deverá atingir aproximadamente 220 milhões de habitantes em 2041.

Depois disso, a tendência é de redução. Em 2070, o país poderá ter aproximadamente 199 milhões de habitantes.

Isso significa que empresas que construíram suas estratégias considerando um mercado consumidor permanentemente crescente precisarão observar uma nova realidade.

O crescimento futuro poderá depender menos do aumento da população e mais de produtividade, inovação, renda e capacidade de conquistar novos mercados.

Mercado de trabalho pode sentir os efeitos

Menos crianças hoje significa menos jovens entrando no mercado de trabalho no futuro. Esse processo pode aumentar a disputa por profissionais em determinados setores e regiões.

Empresas poderão precisar investir mais em:

  • automação
  • inteligência artificial
  • produtividade
  • qualificação profissional
  • retenção de talentos
  • trabalhadores mais experientes
  • novas formas de organização do trabalho

O Economia SC já mostrou como o envelhecimento da população está criando novas discussões sobre longevidade e oportunidades econômicas.

A mudança demográfica também pode fazer com que profissionais permaneçam economicamente ativos por mais tempo.

Consumo também deve mudar

A transformação não acontece apenas no mercado de trabalho. Empresas precisarão acompanhar mudanças no perfil dos consumidores.

Setores ligados à infância podem enfrentar um mercado proporcionalmente menor, enquanto atividades relacionadas à longevidade tendem a ganhar relevância.

Entre os segmentos que podem sentir essa transformação estão:

  • educação
  • mercado imobiliário
  • saúde
  • serviços financeiros
  • seguros
  • turismo
  • alimentação
  • mobilidade
  • tecnologia
  • economia do cuidado
  • entretenimento

Produtos e serviços precisarão acompanhar uma sociedade com menos crianças e maior participação de adultos e idosos.

Economia da longevidade ganha espaço

Em 2000, pessoas com 60 anos ou mais representavam 8,7% da população brasileira. Em 2023, essa participação já havia chegado a 15,6%. Segundo as projeções do IBGE, em 2070 aproximadamente 37,8% da população poderá ter 60 anos ou mais.

Esse movimento ajuda a explicar o crescimento da chamada economia da longevidade. O Economia PR já mostrou como a economia prateada começa a transformar setores como o mercado imobiliário.

Para as empresas, isso significa olhar para consumidores mais maduros não apenas pela perspectiva da saúde, mas também de viagens, educação, investimentos, tecnologia, moradia, bem-estar e experiências.

Empresas também precisarão repensar seus talentos

Uma população mais velha pode mudar a própria definição de carreira. Se as pessoas vivem mais e há menos jovens entrando no mercado, profissionais acima dos 50 ou 60 anos podem ocupar uma parcela cada vez mais relevante da força de trabalho.

Isso exigirá mudanças em políticas de contratação, capacitação e retenção. O Economia SP já destacou como a longevidade profissional está transformando a maneira de pensar carreira e mercado de trabalho.

Empresas que aprenderem a integrar diferentes gerações poderão transformar experiência acumulada em vantagem competitiva.

Menos pessoas não significa necessariamente uma economia menor

A relação entre população e crescimento econômico não é automática. Países podem aumentar produção e renda mesmo com crescimento populacional menor, especialmente quando conseguem elevar produtividade, tecnologia e qualificação da mão de obra.

Por isso, um dos grandes desafios das próximas décadas será produzir mais valor com uma população que envelhece e, posteriormente, pode começar a diminuir.

Tecnologia, automação e inteligência artificial podem ganhar ainda mais importância nesse cenário.

Demografia também precisa entrar na estratégia das empresas

Empresas costumam acompanhar inflação, juros, câmbio, emprego e crescimento do PIB. Mas a demografia também pode transformar mercados.

A queda da natalidade influencia quem vai trabalhar, quem vai consumir, quais produtos serão demandados e quais setores terão espaço para crescer.

Por isso, entender a mudança da pirâmide etária brasileira pode se tornar tão importante para decisões de longo prazo quanto acompanhar os principais indicadores econômicos.

Empresas que identificarem essas transformações antes poderão adaptar produtos, equipes e modelos de negócio para uma sociedade muito diferente daquela que impulsionou o crescimento brasileiro nas últimas décadas.

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