A busca por eficiência produtiva, inovação e práticas sustentáveis tem ganhado espaço na estratégia das indústrias têxteis brasileiras.
Em Santa Catarina, o Grupo Kyly, com sede em Pomerode, encerrou 2025 com 26,8 milhões de peças comercializadas, mais de 5,7 mil toneladas de fios produzidas e crescimento de 7,4% na produtividade da fiação.
Os resultados integram o Relatório de Sustentabilidade da companhia, elaborado com base nas normas da Global Reporting Initiative (GRI). O documento reúne indicadores econômicos, sociais, ambientais e de governança referentes a 2025, ano em que o grupo completou 40 anos de atuação no mercado de vestuário infantil.
Detentor das marcas Kyly, Mania Kids, Milon e Nanai, o grupo encerrou o período com 2.741 colaboradores e uma estrutura produtiva verticalizada, que contempla diferentes etapas da cadeia têxtil.
A operação inclui a unidade industrial e sede do grupo, a Fiação Fio Puro, ambas em Pomerode, além de seis unidades de costura da Unicostura.
Modernização industrial amplia produtividade em 7,4%
Entre os principais investimentos realizados em 2025 estão a modernização da Fiação Fio Puro, a aquisição de equipamentos e a melhoria da infraestrutura industrial.
A companhia também implementou iniciativas de excelência operacional baseadas em conceitos Lean, metodologia voltada à redução de desperdícios, melhoria de processos e aumento da produtividade.
As ações incluíram melhorias na linha de fio penteado, capacitação das equipes, reformas e modernização dos sistemas de climatização.
Outro movimento foi a implantação de uma unidade de costura em Agrolândia, no Alto Vale do Itajaí, ampliando a estrutura produtiva do grupo em Santa Catarina.
Para Robson Heidemann, presidente do Grupo Kyly, a modernização faz parte de uma estratégia de longo prazo, que também contempla a adoção de novas tecnologias:
“Estamos estruturando iniciativas voltadas à inovação e à integração de novas ferramentas digitais, incluindo aplicações de inteligência artificial em diferentes frentes do negócio”, afirma.
Ideias de colaboradores geram economia de R$ 473 mil
Além dos investimentos em equipamentos, a companhia registrou resultados com iniciativas internas de melhoria de processos.
O Programa Boa Ideia, que incentiva os colaboradores a apresentar sugestões para aumentar a eficiência, reduzir custos e aprimorar o ambiente de trabalho, recebeu mais de 1,8 mil propostas em 2025. Desse total, mais de 640 foram implementadas, gerando economia de R$ 473,2 mil para a empresa.
Na área de gestão, outro projeto estratégico é a migração para o sistema SAP, iniciada em 2021 e com atualizações previstas ao longo de 2026. A iniciativa busca integrar processos e ampliar a eficiência operacional.
Milon inaugura 21 operações e grupo amplia canais de venda
A expansão comercial também fez parte dos movimentos registrados pelo Grupo Kyly em 2025. A marca Milon inaugurou 21 operações ao longo do ano, enquanto os canais multimarcas incorporaram 1,6 mil novos clientes.
A companhia também mantém lojas físicas das marcas Universo K e Milon, além de operações digitais por meio de plataformas próprias de comércio eletrônico, marketplaces e outros canais de distribuição.
A diversificação dos canais acompanha as mudanças no comportamento de consumo e amplia o alcance das marcas no mercado de vestuário infantil.
Indústria destina 99% dos resíduos para recuperação
Na dimensão ambiental, o relatório aponta que 99% das 3.702,9 toneladas de resíduos contempladas pelo indicador em 2025 foram encaminhadas para processos de recuperação, incluindo reciclagem e coprocessamento.
O resultado está relacionado a iniciativas de segregação, rastreabilidade e melhoria da destinação dos materiais gerados nas operações.
A companhia também mantém uma cadeia de fornecimento com mais de 3 mil fornecedores, abrangendo diferentes etapas da produção e distribuição.
Na área social, o grupo desenvolve e apoia iniciativas culturais, esportivas, educacionais e comunitárias nas regiões onde atua.
Relatório amplia transparência e prepara próximos indicadores
A elaboração do Relatório de Sustentabilidade foi precedida por um processo de avaliação dos temas prioritários para o negócio, com participação de 724 públicos interessados, entre colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros e representantes do setor financeiro.
O levantamento ajudou a identificar os assuntos considerados mais relevantes para a atuação da companhia e para os próximos ciclos de gestão.
Entre as etapas previstas para a evolução dos relatórios estão a inclusão das emissões de Escopo 3, que abrangem emissões indiretas da cadeia de valor, a adoção da abordagem de dupla materialidade e a avaliação da possibilidade de asseguração externa.
“O relatório nos permite olhar para o caminho que já percorremos e reconhecer o que ainda temos a evoluir. Temos uma responsabilidade com as pessoas e com as relações que construímos ao longo da nossa história. Sustentabilidade é um processo contínuo, e queremos seguir evoluindo com consistência e transparência”, destaca.