Outubro, mês de conscientização sobre cibersegurança, reforça uma mudança entre a segurança digital e a física no varejo, que estão ficando mais conectadas.
Câmeras, inteligência artificial e sistemas que cruzam dados em tempo real já fazem parte da prevenção de perdas, tornando a proteção dessas tecnologias também parte da estratégia de segurança das empresas.
O movimento ganha relevância diante do tamanho das perdas no setor desde o último ano. Segundo pesquisa da Abrappe, divulgada em junho, houve R$ 42,1 bilhões em perdas no varejo brasileiro. Já o índice médio de perdas chegou a 1,65% das vendas, equivalente a R$ 1,65 em perdas a cada R$ 100 vendidos.
Além do impacto sobre as margens, perdas recorrentes podem influenciar a formação de preços no varejo. Parte do prejuízo precisa ser absorvida pela operação e, dependendo do cenário, pode pressionar os preços para compensar perdas e preservar a rentabilidade.
“A lógica é perda alta, resultado ruim e, em algum momento, preço mais alto para cobrir o prejuízo”, afirma Rodrigo, CEO da Deconve.
De acordo com ele, durante muito tempo, segurança digital e física foram tratadas como assuntos separados:
“Hoje, elas começam a se encontrar. Quando uma câmera está conectada a uma inteligência artificial, cruza informações e gera um alerta para uma equipe dentro da loja, existe uma infraestrutura digital por trás daquela decisão que também precisa estar protegida”, complementa o CEO.
Da cibersegurança à prevenção dentro da loja
Um exemplo dessa integração está no uso de reconhecimento facial na prevenção de perdas. Em vez de recorrer às câmeras apenas para investigar ocorrências depois que elas acontecem, varejistas começam a usar dados captados em tempo real para identificar situações de risco e antecipar ações.
“Nesse modelo, sistemas de inteligência artificial podem cruzar imagens captadas na entrada das lojas com bases colaborativas de pessoas envolvidas em ocorrências anteriores. A identificação gera um alerta para as equipes de prevenção, que podem avaliar a situação e agir antes que um novo incidente aconteça”, explica.
A lógica é transformar a informação capturada pelos equipamentos em uma ação preventiva. Em vez de depender exclusivamente da análise posterior de imagens ou de controles manuais, a tecnologia permite que a equipe seja acionada enquanto a situação ainda está acontecendo.
“Uma câmera conectada a uma plataforma de inteligência começa a fazer parte de uma cadeia de dados que precisa funcionar em tempo real. Por isso, a discussão sobre segurança precisa considerar desde a captura da informação até a decisão tomada a partir dela”, ressalta o executivo.
O impacto chega à operação
Além da segurança, a tecnologia também responde a uma questão financeira. As perdas não representam apenas produtos que não são vendidos, elas reduzem a eficiência da operação e pressionam a margem dos varejistas.
Em uma grande rede varejista do sul, a adoção da tecnologia da Deconve contribuiu para uma redução de 17% nas perdas totais, com economia estimada em R$ 25 milhões.
“Quando uma empresa consegue evitar uma perda antes que ela aconteça, ela protege mais do que o estoque. Preserva margem, eficiência e capacidade de operação. Por isso, prevenção de perdas e tecnologia estão cada vez mais ligadas à estratégia financeira do varejo”, afirma.