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71,5% dos profissionais não percebem aprendizagem conectada à rotina de trabalho, aponta pesquisa

As empresas brasileiras avançaram na oferta de plataformas e ferramentas de capacitação, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar o aprendizado dos colaboradores em resultados práticos.

Uma pesquisa inédita do DOT Digital Group revela que 71,5% dos profissionais não percebem a aprendizagem plenamente conectada às suas necessidades e atividades no ambiente corporativo.

O levantamento, realizado com 1.088 trabalhadores de 154 grandes empresas brasileiras, identificou que o Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA) chegou a 58,5 pontos, em uma escala de 0 a 100.

Os resultados foram apresentados durante o DOT Think 2026, realizado em São Paulo, e mostram que o principal desafio da educação corporativa não está apenas na disponibilidade de conteúdos e tecnologias, mas na capacidade das organizações de incorporar o desenvolvimento profissional à rotina de trabalho.

Diferentemente de levantamentos concentrados na percepção dos departamentos de Recursos Humanos, a pesquisa ouviu diretamente os colaboradores que utilizam os programas de treinamento e desenvolvimento.

Apenas 28,5% estão no estágio mais avançado de aprendizagem

Segundo o estudo, somente 28,5% dos profissionais estão no estágio mais avançado de maturidade, no qual a aprendizagem está conectada às atividades diárias, às metas da área e ao desenvolvimento da carreira.

Entre os demais entrevistados, 32,4% trabalham em empresas que oferecem recursos e ferramentas de capacitação, mas não conseguem adaptar essas iniciativas às necessidades individuais.

Outros 17,5% reconhecem a existência de conteúdos e plataformas, porém relatam falta de tempo e orientação para utilizá-los. Já 21,6% não percebem a aprendizagem como parte da própria experiência profissional.

Para Luiz Ferla, CEO e fundador do DOT Digital Group, os resultados indicam a necessidade de rever a maneira como as empresas estruturam o desenvolvimento de pessoas:

“Durante anos, o mercado corporativo perguntou o que precisava ensinar aos seus colaboradores. Os dados mostram que essa é a pergunta errada. A questão real é o que precisa acontecer dentro da organização para que as pessoas consigam aprender, aplicar o que aprenderam e gerar impacto de negócio com isso”, afirma.

Profissionais com plano de desenvolvimento ativo aplicam mais o conhecimento

Um dos principais gargalos identificados está no Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), ferramenta utilizada para orientar a evolução profissional e o desenvolvimento de competências. Apenas 39,1% dos entrevistados consideram o PDI um guia ativo para suas oportunidades de capacitação.

A diferença aparece na aplicação prática do conhecimento. Entre os trabalhadores que possuem um plano de desenvolvimento ativo, 92% afirmam utilizar o que aprenderam em tarefas recentes. Quando o PDI está ausente ou inativo, esse percentual cai para 47,4%.

O estudo também identificou que apenas 40,7% dos profissionais percebem oportunidades de aprendizagem integradas ao fluxo diário de trabalho, como em sistemas de gestão e plataformas de atendimento.

Na avaliação das dimensões analisadas, os menores resultados foram registrados em Cultura, com 52,4 pontos, e Práticas e Processos, com 53 pontos. Já os indicadores de Impacto e Tecnologia e Ecossistema alcançaram 68,3 e 62,5 pontos, respectivamente.

Os dados sugerem que a existência de infraestrutura tecnológica não garante, por si só, a incorporação do aprendizado à operação das empresas.

Interesse por capacitação em IA cresce entre profissionais mais experientes

A inteligência artificial também apareceu entre as prioridades de desenvolvimento profissional, mas com diferenças relevantes conforme o nível de experiência.

Enquanto 23% dos profissionais iniciantes apontam a IA como prioridade de qualificação, o percentual chega a 47% entre os trabalhadores experientes e 49% entre as lideranças formais.

O resultado contraria a percepção de que o interesse por novas tecnologias estaria concentrado nos profissionais em início de carreira.

Para o CEO, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de capacitação, mas depende de condições organizacionais que permitam aos profissionais aprender e aplicar novos conhecimentos.

“Não existe jornada de aprendizagem eficaz sem tempo planejado, sem liderança presente ou sem rituais que sustentem o hábito. Tecnologia e inteligência artificial ajudam, mas só quando aplicadas sobre uma estrutura organizacional que já reconhece a aprendizagem como parte do trabalho, e não como uma atividade paralela a ele”, destaca.

Utilidade das plataformas influencia aplicação do aprendizado

Outro resultado da pesquisa mostra que a experiência dos colaboradores com as plataformas de ensino depende não apenas da facilidade de uso, mas também da relevância do conteúdo para as atividades profissionais.

Quando as ferramentas são consideradas fáceis de utilizar, mas não apresentam utilidade direta para o trabalho, a taxa de forte aproveitamento operacional fica em 44%. Quando a facilidade de navegação está associada à aplicação prática nas tarefas, o índice sobe para 84%.

Os resultados reforçam a importância de conectar os investimentos em educação corporativa às necessidades reais das equipes, especialmente em um ambiente de mudanças tecnológicas e transformação das competências exigidas pelo mercado.

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