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Agtech de Porto Alegre lança sistema com IA para algodão e projeta crescer 40% ao ano

A Eirene Industrial, desenvolvedora do SaveFarm, sistema de pulverização seletiva com inteligência artificial, registra em 2026 crescimento de mais de 25% no faturamento, mesmo com a retração do mercado interno. A empresa prevê expansão média anual mínima de 40% nos próximos cinco anos e prepara uma filial e hub logístico em Cuiabá, no Mato Grosso.

Com 16 anos de atuação, a tecnologia já soma mais de 450 sistemas instalados em máquinas agrícolas no país e no exterior. Engenharia, hardware, software e inteligência artificial embarcada são desenvolvidos no Brasil.

O foco é aumentar a eficiência da pulverização, reduzir o desperdício de defensivos e diminuir o custo de produção por hectare. Em cenários mais favoráveis, a companhia vê espaço para dobrar a operação.

Para Eduardo Marckmann, CEO da Eirene Industrial, a unidade em Cuiabá vai encurtar o atendimento em uma das principais regiões agrícolas do país. “A nova estrutura no Mato Grosso será decisiva para nos aproximar ainda mais dos produtores, acelerar o atendimento no Centro-Oeste e dar suporte à expansão nas principais fronteiras agrícolas do país”, afirma.

Presença em 12 estados e três países vizinhos

No Brasil, o SaveFarm está em polos agrícolas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Fora do país, a empresa opera há três anos na Argentina e iniciou atividades no Uruguai e no Paraguai, com rede de parceiros e infraestrutura própria.

Pulverização planta a planta

O sistema combina inteligência artificial, visão computacional, sensores e câmeras de alta resolução para identificar, em tempo real, quais plantas precisam de tratamento. Em vez de cobrir toda a área, aplica o produto só onde há necessidade.

A solução pode ser instalada em diferentes marcas e modelos de máquinas, sem exigir a compra de um novo pulverizador. Na dessecação pré-colheita, reconhece plantas verdes e secas e ajusta a aplicação, o que dá mais uniformidade à área e previsibilidade à colheita.

“É uma mudança de paradigma: sair da pulverização baseada em área para uma pulverização orientada por informação, em que cada planta passa a ser identificada e tratada de acordo com sua real necessidade”, diz Eduardo.

Pela plataforma SaveCloud, o produtor acompanha cobertura, vazão, desligamento bico a bico e histórico das aplicações, com sincronização inclusive em áreas sem conexão contínua.

Operação florestal e estrutura

Há cerca de três anos, a empresa criou também o SaveForest, voltado à automação e ao controle da irrigação mecanizada em operações florestais.

A sede fica em Porto Alegre, e a planta industrial funciona no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc). São 106 colaboradores em todo o país. Cerca de 65% das vendas são feitas diretamente ao cliente final, e 35% por canais B2B.

Sistema dedicado ao algodão

O lançamento mais recente é o SaveFarm Cotton, criado para a cotonicultura. O sistema usa algoritmos treinados com milhões de imagens reais de lavouras, processamento Cortex.AI em tempo real, novo hardware embarcado e interface própria.

A ferramenta apoia aplicações direcionadas de herbicidas, reguladores de crescimento, fungicidas e inseticidas, com configurações para espaçamentos de 22,5 e 25 centímetros entre pontas.

“Nosso manejo do algodão tem espaçamento de 90 centímetros e o projeto de 22,5 centímetros conta com quatro bicos dentro de uma linha de plantio de algodão. Com isso, nós conseguimos fazer a aplicação localizada para ervas daninhas somente na entrelinha do plantio”, explica Márcio Bobek, gerente de operações agrícolas do Grupo GMS.

Márcio resume o uso no dia a dia:

“A ferramenta nos ajuda muito na tomada de decisão agronômica. Utilizamos ela no manejo do verde sobre o verde e no verde sobre marrom com índices de economia muito altos.”

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