A Prioridade 10, rede de franquias de Cunha Porã, em Santa Catarina, prepara a chegada ao Nordeste, com lojas previstas na Bahia e no Rio Grande do Norte. Com 100 unidades em operação, a empresa projeta faturar R$ 265 milhões em 2026 e encerrar o ano com mais de 110 pontos.
Em 2024, a rede faturou R$ 250 milhões. Fundada em 2014 por Rogério Zorzetto e Angélica Leising, cresceu em Santa Catarina, no Paraná e no Rio Grande do Sul com um modelo baseado na venda de produtos de até R$ 30.
A nova etapa combina adaptação regional do mix, padronização da marca e reforço logístico.
Franqueados com várias unidades
A expansão acontece enquanto a empresa fortalece sua base de franqueados. Hoje, 90% deles têm mais de uma unidade, e alguns administram cinco, seis ou até oito lojas.
O faturamento médio mensal por ponto chega a R$ 197 mil. O investimento inicial parte de R$ 499 mil, com prazo de retorno de 15 a 20 meses.
Mix de produtos adaptado ao clima
Para Rogério, CEO da rede, a entrada em novas regiões exige conhecimento sobre o consumidor local. “O crescimento de uma rede nacional precisa partir de uma leitura cuidadosa de cada mercado. O consumidor tem hábitos e necessidades diferentes, e nosso papel é transformar esse conhecimento em decisões de compra e em um mix que faça sentido para cada loja”, afirma.
No Sul, o portfólio inclui itens ligados ao clima e aos hábitos regionais, como vestuário de inverno, moletons, cuias e bombas de chimarrão. No Nordeste, as coleções de verão terão mais espaço ao longo do ano. O fundador explica:
“Não podemos simplesmente replicar no Nordeste o calendário de produtos que funciona no Sul. O clima muda essa lógica. Teremos uma presença maior das coleções de verão e trabalharemos a meia-estação de forma complementar.”
Centro de distribuição em São Paulo
Apesar das mudanças no sortimento, o layout das lojas, o padrão de atendimento e a identidade da marca serão mantidos. As compras continuam centralizadas, com pedidos feitos pelos franqueados em um portal próprio.
Um centro de distribuição em São Paulo deverá apoiar o abastecimento das novas unidades e ajudar a reduzir custos. “Quando uma rede passa a atuar em diferentes estados, a logística influencia diretamente a disponibilidade dos produtos e a eficiência das lojas. Nossa capacidade de abastecimento precisa acompanhar o ritmo de crescimento”, diz o CEO.
De 60 m² a lojas de 600 m²
A trajetória da rede começou em uma loja de 60 m². Antes de empreender, Rogério deixou a carreira no Exército Brasileiro e trabalhou em três empregos para juntar R$ 25 mil. O valor foi completado com um empréstimo de R$ 20 mil do pai.
Com o crescimento, as lojas ganharam novos formatos. Unidades de 400 m² faturam em média mais de R$ 2,3 milhões por ano, com lucro mensal entre R$ 35 mil e R$ 40 mil e margens de 18% a 22%.
Nas operações de 600 m², a receita anual supera R$ 2,8 milhões, com lucro mensal entre R$ 42,1 mil e R$ 51,4 mil. O fundador resume a estratégia:
“Nossa expansão precisa ser acompanhada por eficiência operacional e conhecimento do mercado. Acompanhar os indicadores, ouvir os franqueados e entender o consumidor são pontos fundamentais para crescer com consistência.”