Santa Catarina registrou 448.865 empresas inadimplentes em agosto, segundo dados da Serasa Experian. Apesar de apresentar o menor número de CNPJs negativados entre os três estados do Sul, o estado teve o maior ticket médio de dívida da região, de R$ 3.844,27 por pendência.
No total, a região Sul contabilizou 1.601.196 empresas inadimplentes e mais de 15 milhões de dívidas negativadas, que somaram R$ 55,3 bilhões.
O Paraná liderou o número de empresas com contas em atraso, com 613.012 CNPJs, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 539.319, e Santa Catarina, com 448.865. Já o estado gaúcho apresentou a maior dívida média por empresa, de R$ 37.518,16.
Inadimplência empresarial bate recorde no Brasil
O cenário acompanha o avanço da inadimplência empresarial no país. Em agosto, o Brasil chegou a 9,3 milhões de empresas inadimplentes, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Ao todo, foram registradas 68,2 milhões de dívidas negativadas, que somaram R$ 244,4 bilhões. Cada empresa inadimplente acumulava, em média, 7,4 pendências, com dívida média de R$ 26.355,13 por CNPJ.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, os números mostram que a redução dos juros ainda não foi suficiente para aliviar a situação financeira das empresas.
“A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos. Ao mesmo tempo, o número de empresas inadimplentes alcançou o recorde de 9,3 milhões, evidenciando que a redução dos juros ainda não alterou as condições financeiras enfrentadas pelas empresas. O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”, explica.
Mesmo nesse cenário, a demanda empresarial por crédito cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses. As concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%.
Segundo a economista, esse movimento indica que o crédito tem sido utilizado principalmente para sustentar o caixa e manter as operações, e não necessariamente para financiar a expansão dos negócios.
Serviços e comércio concentram a inadimplência
O setor de serviços respondeu por 56% das empresas inadimplentes no Brasil em agosto. Na sequência apareceram comércio, com 32%, indústria, com 8%, e setor primário, com 0,9%. Outros segmentos representaram 3,1%.
Na análise da origem das dívidas, os serviços também lideraram, com 31,7% dos registros, seguidos por bancos e cartões, com 19,7%, e cooperativas, com 8,5%.
As instituições financeiras concentraram 24,4% das pendências negativadas, enquanto 75,6% estavam relacionadas a outros setores.
O dado mostra que o endividamento empresarial está distribuído entre diferentes tipos de credores, ampliando os desafios para a organização do fluxo de caixa.
Pequenos negócios são os mais afetados
As micro e pequenas empresas representam a maior parte dos CNPJs inadimplentes no Brasil. Em agosto, foram 8,8 milhões de pequenos negócios negativados, com 61,4 milhões de dívidas que somaram R$ 211 bilhões. Cada empresa desse grupo acumulava, em média, sete pendências, com dívida média de R$ 23.902,98.
“Para as micro e pequenas empresas, o desafio hoje vai além do custo do crédito. São negócios que possuem menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de menor crescimento”, destaca Camila Abdelmalack.
Para a economista, a recuperação financeira desses negócios depende de uma reorganização do caixa e de maior planejamento.
Os dados reforçam a pressão sobre as empresas brasileiras em um cenário de crédito ainda caro e dificuldades para equilibrar receitas, despesas e compromissos financeiros.
Em Santa Catarina, o maior ticket médio de dívida da região Sul chama a atenção para o valor das pendências, mesmo com o estado registrando menos empresas inadimplentes do que Paraná e Rio Grande do Sul.